Geração Z desistiu de ficar rica e já definiu qual é sua prioridade no mercado de trabalho

Pesquisas recentes ajudam a entender por que a Geração Z está revendo carreira, dinheiro e bem-estar sob novas pressões

Gustavo de Souza -
Geração Z desistiu de ficar rica e já definiu qual é sua prioridade no mercado de trabalho
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Durante anos, o sucesso profissional e financeiro foi tido como um dos principais objetivos de vida. Trabalhar mais, ganhar mais, subir mais rápido e transformar a rotina em vitrine pareciam etapas naturais para quem queria “dar certo”.

Porém, entre os adultos da Geração Z, esse roteiro começou a perder força. Pesquisas recentes indicam que parte desse grupo não abandonou a ambição, mas passou a enxergar o futuro com menos glamour e mais senso de urgência.

É por isso que, mais do que enriquecer a qualquer custo, esses jovens passaram a valorizar estabilidade financeira, previsibilidade e saúde mental no mercado de trabalho.

O levantamento “Gen Z: os novos autores da cultura”, da MindMiners, mostra que a estabilidade financeira aparece como principal prioridade para os próximos dez anos entre 52% dos entrevistados de 18 a 28 anos. A mesma pesquisa aponta que muitos dessa faixa etária convivem com ansiedade, dificuldade para guardar dinheiro e medo de não alcançar independência financeira.

O cenário não é apenas brasileiro. Relatório da Morning Consult, publicado em 2025, também retrata jovens da Geração Z nos Estados Unidos pressionados por insegurança financeira, solidão e sensação de estagnação. Entre as mulheres, os indicadores de ansiedade e menor confiança na própria situação financeira aparecem de forma mais intensa.

No trabalho, essa mudança também se reflete nas escolhas de carreira. A pesquisa global da Deloitte com Geração Z e millennials (grupo anterior aos Z) mostra que apenas uma pequena parcela dos jovens coloca a liderança como principal meta profissional. Para muitos, dinheiro, propósito e bem-estar passaram a caminhar juntos.

Esse movimento ajuda a explicar o enfraquecimento do ideal de valorizar a correria desenfreada do dia a dia como um sinal positivo, que associa exaustão a mérito. Agora, cresce a busca por empregos com remuneração justa, flexibilidade, ambiente saudável e alguma segurança para planejar o futuro.

Não é como se a Geração Z tivesse perdido a vontade de “vencer na vida”; o que muda é o conceito de vitória. Para muitos, vencer já não significa apenas o acúmulo na conta bancária ou ocupar cargos prestigiados, mas sim conseguir boa qualidade de vida e estabilidade.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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