Longas filas em inaugurações chamam atenção e reacendem debate de revitalização do Centro de Anápolis
Pelo menos duas lojas de utilidades observaram clientes dobrarem a esquina para conferir promoções nos últimos meses

Em meio a placas de vende-se, aluguéis aumentando e ruas esvaziando, o Centro de Anápolis ainda resiste e consegue movimentar compradores por meio de lançamentos.
Exemplos recentes demonstram o cenário: a inauguração de duas lojas a preços fixos no coração da cidade, ambas oferecendo produtos de utilidades domésticas, decorações, limpeza e brinquedos, entre outros.
No fim de agosto, a Casa Mais se instalou na rua 14 de Julho oferecendo produtos com valor único de R$ 7. O resultado foi imediato: longas filas se formaram, com clientes ocupando a calçada em frente a pelo menos seis lojas em plena tarde de sábado.
Quem passava pelo local, mesmo nos dias seguintes, observava a mesma situação.
Nesta quarta-feira (27), a inauguração da LevLar na rua 15 de Dezembro repetiu a tendência. Com itens a preços fixos de R$ 7, R$ 12 e R$ 25, a loja viu um alto fluxo de consumidores antes mesmo de abrir as portas, às 09h.
Segundo apurado pelo Portal 6, alguns chegaram ao estabelecimento por volta das 03h para aproveitar as promoções. A movimentação foi tanta que a fila dobrou a esquina com a rua Barão do Rio Branco.
Parte da revitalização?
O alto fluxo de clientes vai ao encontro da proposta de revitalização do Centro, cuja discussão tem crescido entre moradores e governantes, à medida que comércios têm escolhido se mudar para outros endereços fora do setor ou fechado as portas.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Luiz Cláudio Ledra, destacou à reportagem que alguns problemas ainda precisam ser resolvidos para que o Centro consiga se reconsolidar.
“A falta de estacionamento é complicado e os imóveis estão bastante caros. Além da questão do comércio em si. O Centro não está se movimentando mais lá, então o comércio acaba morrendo”, apontou. Para ele, parte da solução vem justamente pelas empresas que conseguem se firmar ali.
“Existem algumas que têm o poder de venda, empresas consolidadas. Isso segura muito o Centro da cidade. Você vê ali muitas óticas, algumas lojas de eletrônicos, eletrodomésticos… elas são fortes e contribuem para segurar o Centro, assim como o próprio camelô, que faz um movimento muito grande”, afirmou.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis, Luis Miguel Mendes, ressalta questões semelhantes. Ele já havia contado ao Portal 6, em março, que a decadência do Setor Central significa o deslocamento do comércio para outros bairros.
Ganham atenção a Vila Jaiara, o Grande Recanto do Sol, Parque Brasília, Residencial Cerejeiras e a Avenida Pedro Ludovico. Contudo, a abertura de novos empreendimentos não necessariamente indica avanço econômico: “não cresce a economia da cidade. O consumo só muda de local”, defendeu.
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