Após perder o pai e ser inocentado em julgamento, filho se emociona ao lembrar do homem que lhe deu a vida
Considerado inocente, Paulo Victor Leal revelou ao Portal 6 a sensação de alívio após a absolvição e os detalhes da relação familiar

A batalha de dois anos vivida por Paulo Victor Leal, anapolino de 29 anos acusado pelo Ministério Público (MPGO) de tentar matar o motorista que atropelou e causou a morte do pai dele, chegou ao fim nesta quarta-feira (03).
De cabeça erguida, o jovem esteve por horas no banco de réus ouvindo toda a acusação, que se fosse aceita pelos membros do Tribunal do Júri, levaria Paulo Victor a cumprir pena entre 12 e 30 anos de prisão. O desfecho, porém, foi diferente.
O rapaz foi considerado inocente e, agora, já se encontra em casa ao lado do filho, da mãe e das duas irmãs.
Em entrevista exclusiva ao Portal 6, ele descreve a sensação de alívio e de paz após a absolvição, os detalhes sobre a relação com o pai, os dois anos de sofrimento e incerteza vividos, a união familiar e os planos para o futuro.
Sensação após o veredito
À reportagem, Paulo Victor diz que a ficha ainda não caiu completamente, mas a paz e o ar que agora respira são diferentes. Ele descreve a sensação como um peso que tirou da cabeça, permitindo-o agora enfrentar o luto do pai de uma forma mais racional e em paz.
“Eu estou deitado na cama aqui com meu filho e está assim… passando uma retrospectiva na minha cabeça. Ainda não está caindo na ficha, né? É um peso que sai da cabeça da gente. O luto pelo meu pai, ele fica, não tem como, mas até o luto eu acho que eu consegui entender de uma forma mais racional hoje”, afirma.
Ele revela que guarda apenas lembranças boas e de felicidade ao lado do pai, Jocicleyde de Souza Leal. Ele o descreve como um bom pai, bom homem, bom marido e bom filho.
“É só boas lembranças que eu tenho do meu pai. É só de felicidade, sabe? Dele chegando em casa, sempre trazendo felicidade pra nós. Eu via minha mãe chegando cansada do trabalho, falando que não ia conseguir cuidar da cozinha, e ele falava para ela descansar, que ele ia lá cuidar”, relembrou.
“Lembrança minha de até meus 12, 13 anos, quando eu ainda banhava junto com o meu pai, sabe? Ele não foi qualquer pai, não. Eu tive um pai de verdade. Ele me deixou exemplo, ele deixou legado”, completou Paulo.
Jocicleyde era vigilante com mais de 20 anos de experiência, sendo que nos últimos quatro anos antes de morrer prestava serviço para uma cachaçaria às margens da BR-153, em Anápolis.
Como noticiado pelo Portal 6, o pai morreu em um acidente de trânsito em janeiro de 2024. Ele pilotava uma moto, indo para o trabalho, quando foi atropelado por um caminhão que fazia retorno em um local proibido. Jocicleyde foi internado em um hospital de Anápolis, mas não sobreviveu.
Três meses depois, tomado pela emoção, Paulo encontrou o motorista do caminhão e tentou contra a vida dele com golpes de faca. O homem sobreviveu, mas Paulo foi preso e acusado de tentativa de homicídio.

Paulo Victor, ao lado do pai (Fotos: Arquivo pessoal cedido ao Portal 6)
Acusação de tentativa de homicídio: dois anos de sofrimento
Os dois anos entre o crime e o julgamento foram marcados por muito sofrimento e tensão para Paulo e a família. Ele reconhece que cometeu erros, se arrepende, e agora luta para seguir a vida e conseguir cuidar da família.
Sobre o motorista que atropelou o pai e, até hoje, não foi penalizado, o rapaz clama por Justiça. “Tudo isso aí foi causado devido à injustiça. Hoje, eu entrego aí para a Justiça do homem, mas principalmente, deixo na nas mãos de Deus”, declara.
Desde a morte do pai, a família de Paulo Victor se mantém unida. A mãe e duas irmãs moram juntas, e ele reside próximo, na antiga casa do pai. “Desde a morte do meu pai, a gente sempre mantém unido. Mesmo diante todos os esses acontecidos”, afirma.
Planos para o futuro: trabalho e fé
Com a absolvição, Paulo Victor planeja retomar a vida com fé e determinação. Ele pretende ir à igreja para agradecer a Deus e, no dia seguinte, voltar ao trabalho.
“Até o momento aqui eu já ajoelhei no chão, agradeci a Deus, e eu quero ir na igreja agradecer mais e, e amanhã, ir para o meu trabalho”, revela.
Ele encara a experiência como uma chance de recomeço, apesar dos erros. “Sei que passei por uma experiência que não foi uma atitude correta, mas sei que Deus me deu mais uma chance”, finaliza.
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