Celso Cukier, nutrólogo do Einstein: “Cortar tudo da alimentação pode até funcionar no começo, mas dificilmente se mantém por muito tempo”
Dietas da moda e mudanças radicais podem dificultar uma rotina saudável e duradoura

Começar uma alimentação mais saudável está entre as metas mais comuns de quem deseja melhorar a qualidade de vida. Mas, na prática, muita gente erra justamente por tentar mudar tudo de uma vez ou seguir dietas que prometem resultado rápido.
Em meio a vídeos nas redes sociais, cortes radicais de alimentos e promessas de emagrecimento fácil, algumas estratégias podem mais atrapalhar do que ajudar.
Para o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, mudanças alimentares precisam ser baseadas em evidências e adaptadas à rotina de cada pessoa. Segundo ele, hábitos consistentes tendem a funcionar melhor do que dietas extremamente restritivas.
- Com cerca de 4.400 anos, cilindros achados na Síria podem ser o alfabeto mais antigo e antecipar a escrita em 500 anos
- IBGE prorroga até 9 de julho inscrições de concurso para 8.238 vagas temporárias
- Gonzalo Riera, sommelier de carnes: “O primeiro passo para comprar uma boa carne é encontrar um açougueiro de confiança”
O primeiro erro é trocar comida de verdade por ultraprocessados
O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação.
Entram nessa lista frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, ovos, leite, carnes, raízes, tubérculos e outros alimentos mais próximos da forma natural.
Já os ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, doces industrializados e produtos prontos para consumo, devem aparecer com menos frequência na rotina.
Isso porque eles costumam ter altos teores de açúcar, sódio, gorduras e aditivos, além de favorecerem uma alimentação menos equilibrada quando consumidos em excesso.
Dietas da moda podem atrapalhar mais do que ajudar
Outro erro comum é seguir dietas da moda sem orientação profissional.
Eliminar completamente carboidratos, exagerar nas proteínas ou fazer jejuns prolongados apenas porque alguém indicou nas redes sociais pode não ser seguro para todo mundo.
Segundo Cukier, dietas muito restritivas costumam ser difíceis de manter por longos períodos.
Além disso, elas aumentam o risco do chamado efeito sanfona, quando a pessoa perde peso rapidamente, mas recupera tudo pouco tempo depois.
Por isso, uma mudança alimentar eficiente precisa caber na rotina. Quanto mais radical e difícil de manter, maior a chance de abandono.
Cortar grupos alimentares sem necessidade é arriscado
Carboidrato, gordura e proteína têm funções importantes no organismo. O problema não está em um grupo alimentar isolado, mas na qualidade e na quantidade do que se consome.
Por isso, retirar alimentos importantes sem avaliação individual pode causar desequilíbrios e dificultar a adesão ao plano alimentar.
Em vez de cortar tudo, a orientação mais segura é melhorar as escolhas do dia a dia, reduzir ultraprocessados e organizar melhor as refeições.
Alimentação saudável não depende só do prato
Uma rotina equilibrada também envolve outros hábitos.
A prática regular de atividade física ajuda no controle do peso, fortalece músculos e ossos e reduz o risco de doenças crônicas.
A hidratação também faz diferença. Beber água ao longo do dia favorece a digestão, ajuda no funcionamento do organismo, regula a temperatura corporal e participa do transporte de nutrientes.
Ou seja, comer melhor não significa apenas escolher alimentos mais saudáveis. Também envolve sono, movimento, rotina e constância.
Orientação profissional evita escolhas perigosas
Quem deseja emagrecer, mudar a alimentação ou tratar algum problema de saúde deve procurar acompanhamento de profissionais habilitados, como nutricionistas e médicos.
Esses especialistas conseguem avaliar a rotina, o histórico de saúde, os exames e os objetivos de cada pessoa antes de indicar qualquer estratégia.
Além disso, a orientação profissional ajuda a evitar modismos e permite indicar tratamentos seguros quando há necessidade de medicamentos.
No fim, uma alimentação saudável não depende de fórmula milagrosa. O caminho mais seguro está em escolhas equilibradas, mudanças possíveis e hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








