Adeus, argamassa: piso seco que encaixa a cerâmica como quebra-cabeça reduz o tempo das obras e vira tendência entre engenheiros
Sistema inovador permite instalar cerâmica por encaixe, reduz sujeira, acelera obras e usa base feita com material reciclado

Durante muito tempo, trocar ou instalar piso foi sinônimo de obra demorada, sujeira espalhada e uma sequência de etapas que exigiam paciência.
Entre preparar argamassa, aplicar o material, alinhar as peças e esperar a secagem, muita gente já adiou reformas justamente pelo transtorno envolvido.
Mas uma tecnologia criada por jovens empreendedores espanhóis promete mudar esse processo. A startup Ondablock desenvolveu um piso seco que dispensa argamassa, água e adesivos cimentícios, permitindo que placas cerâmicas sejam instaladas por encaixe, de forma parecida com um quebra-cabeça.
O sistema une uma cerâmica porcelânica convencional a uma base técnica feita com polímero termoplástico reciclado. Essa estrutura já sai integrada de fábrica e chega pronta para ser instalada.
Na prática, a base possui uma geometria ondulada que permite o encaixe lateral entre as peças. Assim, em vez de depender da aderência da argamassa ao contrapiso, o piso se firma por meio de uma conexão mecânica entre os módulos.
Com isso, etapas tradicionais da obra deixam de ser necessárias. Não é preciso preparar massa, espalhar adesivo ou aguardar o tempo de cura para liberar o ambiente.
Segundo a Ondablock, o sistema pode alcançar uma velocidade de instalação entre 20 e 25 metros quadrados por hora. Publicações técnicas do setor apontam que o método pode ser até oito vezes mais rápido que o assentamento cerâmico tradicional.
Outro ponto que chama atenção é a possibilidade de aplicar as peças sobre superfícies niveladas e estáveis, incluindo concreto, cerâmica existente e alguns revestimentos já instalados.
Isso pode facilitar reformas em casas, apartamentos, lojas, escritórios e ambientes que precisam reduzir o tempo de paralisação.
Além da praticidade, o piso seco também aposta em uma proposta mais sustentável. Como não utiliza argamassa, o sistema reduz o consumo de água, areia, cimento e outros insumos comuns em obras convencionais.
A base feita com polímero reciclado também reaproveita materiais plásticos que já tiveram uso anterior. Outro diferencial é que, por não ficar permanentemente colado ao contrapiso, o revestimento pode ser removido com menos danos em determinadas situações.
A tecnologia ainda precisa disputar espaço com métodos tradicionais, mas mostra uma tendência forte da construção civil: obras mais rápidas, limpas, modulares e com menos desperdício.
O objetivo não é acabar com a cerâmica, mas transformar a forma como ela é instalada no chão de casas e empreendimentos.
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