O país onde a vida fora do trabalho é prioridade e encerrar o expediente às 15h é comum inspira o sonho da semana de 4 dias
País europeu testa redução da jornada sem cortar salários e reacende debate sobre qualidade de vida no trabalho

Sair do trabalho ainda durante a tarde parece um privilégio distante para milhões de pessoas ao redor do mundo. Em uma época marcada por altos índices de estresse, esgotamento profissional e dificuldade de equilibrar vida pessoal e carreira, cresce o interesse por modelos que prometem mais tempo livre sem comprometer a produtividade.
A discussão ganhou força especialmente entre os mais jovens. A chamada Geração Z tem demonstrado cada vez mais interesse por jornadas flexíveis, trabalho híbrido e semanas mais curtas. Para muitos profissionais, trabalhar menos horas deixou de ser apenas um desejo e passou a ser uma prioridade na busca por qualidade de vida.
É justamente nesse cenário que a Noruega chama a atenção. Embora a legislação local permita jornadas semanais de até 40 horas, a realidade costuma ser diferente. Com média de aproximadamente 33 horas trabalhadas por semana, muitos profissionais encerram o expediente por volta das 15h ou 16h, mantendo uma rotina que valoriza o equilíbrio entre trabalho, lazer e convivência familiar.
Agora, a Noruega participa de um projeto-piloto que avalia a adoção da semana de quatro dias. A iniciativa foi lançada pela organização internacional 4 Day Week Global, que promove experiências semelhantes em diferentes regiões do mundo.
O programa teve início no fim do ano passado e deve seguir até o próximo verão europeu. O objetivo é analisar os impactos da redução da jornada na produtividade, no bem-estar dos trabalhadores e nos resultados das empresas.
A experiência segue o modelo conhecido como 100-80-100. Na prática, os funcionários recebem 100% do salário, trabalham 80% do tempo habitual e devem manter 100% da produtividade.
Um dos fatores que impulsionam a discussão é o aumento dos problemas relacionados ao esgotamento profissional. Dados apontam a perda de cerca de 2,2 milhões de dias de trabalho por trimestre no país, sendo aproximadamente um quarto desse total associado à exaustão e a questões de saúde mental.
Além disso, 27% dos trabalhadores afirmam já ter considerado deixar seus empregos para dedicar mais tempo à vida pessoal e à família.
Caso os resultados do projeto sejam positivos, a semana de quatro dias poderá ganhar ainda mais força e servir de inspiração para outros países. O debate, que antes parecia distante, começa a ser visto como uma possível alternativa para transformar a relação das pessoas com o trabalho nas próximas décadas.
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