Filha de mecânico, criada entre 15 irmãos, trocou o curso de Direito pela Engenharia e foi contra a vontade do pai, abrindo a sua própria oficina

Aline abandona uma área almejada por muitos para seguir sua vontade e provar que oficina mecânica também é coisa de mulher

Gustavo de Souza -
Filha de mecânico, criada entre 15 irmãos, trocou o curso de Direito pela Engenharia e foi contra a vontade do pai, abrindo a sua própria oficina
(Foto: Divulgação/Sebrae)

Criada entre 15 irmãos, ferramentas pesadas e a rotina de uma oficina em Campo Alegre, no interior de Alagoas, Aline Ferro aprendeu cedo a observar motores, graxa e engrenagens. Filha do mecânico José Petrúcio Correia, ela cresceu em um ambiente dominado por homens, mas transformou essa vivência em caminho profissional.

Hoje, aos 38 anos, a engenheira mecânica está à frente da Ferro Oficina Automotiva, em Arapiraca, no Agreste alagoano. A abertura do negócio próprio veio após apoio do Sebrae, que ajudou na formalização e em capacitações voltadas ao empreendedorismo.

De Direito à Engenharia

Antes de assumir a paixão pelos carros, Aline chegou a ser aprovada em Direito, curso que seu pai sonhava com que ela fizesse. A mudança de área ocorreu após uma viagem ao Rio de Janeiro, quando decidiu prestar vestibular para Engenharia Mecânica, contrariando a vontade de José.

A escolha provocou um rompimento familiar. Segundo o relato, o pai passou os quatro anos da graduação sem falar com ela. A reconciliação aconteceu na formatura, quando ele apareceu de surpresa na comemoração.

Preconceito dentro da oficina

Depois de concluir a faculdade, fazer mestrado e lecionar em Maceió, Aline voltou ao pátio automotivo. Em 2021, passou a atender em um box cedido pelo irmão, onde enfrentou clientes que duvidavam da capacidade técnica dela por ser mulher.

Em uma das situações, um cliente recusou o serviço ao perceber que ela fara a troca de uma peça. Em outra, um vendedor tentou entregar componentes errados, até ser corrigido por Aline com o uso de um paquímetro.

A experiência reforçou a importância de redes de apoio, como o Elas no Volante, iniciativa também do Sebrae que reúne mulheres do setor automotivo no Agreste. Hoje, o próprio pai, aos 82 anos, tornou-se parceiro da filha na restauração de clássicos como Kombis e Fuscas.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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