Reginaldo Alves, açougueiro há 30 anos: “Aquelas listras de gordura não são defeito; é o marmoreio que deixa o bife suculento”

Detalhe que muita gente tenta evitar no balcão do açougue pode fazer diferença no sabor, na maciez e no resultado final da carne

Layne Brito -
é o marmoreio que deixa o bife suculento
(Foto: Reprodução/Magnific)

Na hora de escolher um bife no açougue, muita gente procura a peça mais vermelha, limpa e sem nenhuma gordura aparente. A ideia parece fazer sentido à primeira vista, principalmente para quem associa gordura a excesso ou baixa qualidade.

Mas, no balcão, nem tudo que parece imperfeição deve ser descartado.

Algumas marcas esbranquiçadas no meio da carne podem indicar justamente o contrário: um corte com mais chance de ficar macio, saboroso e suculento depois de ir à frigideira, à chapa ou à churrasqueira.

Segundo Reginaldo Alves, açougueiro há 30 anos, aquelas listras finas de gordura espalhadas entre as fibras da carne são conhecidas como marmoreio

. Elas não são defeito, nem sinal de carne ruim. Pelo contrário, costumam ser uma característica valorizada em cortes bovinos.

O marmoreio aparece como pequenos veios de gordura entremeados na parte vermelha da carne.

Durante o preparo, essa gordura derrete aos poucos e ajuda a manter a umidade interna do bife.

É por isso que uma carne com boa distribuição de gordura pode ficar mais macia e saborosa.

Enquanto o calor cozinha o corte, parte dessa gordura se espalha pela peça, contribuindo para a textura e para o sabor final.

O erro comum é confundir marmoreio com gordura externa em excesso.

A capa de gordura fica concentrada em uma das partes do corte e pode ser retirada ou reduzida, dependendo da receita.

Já o marmoreio fica dentro da carne, em pequenas linhas, e atua de forma diferente no preparo.

Em bifes feitos na frigideira, esse detalhe ajuda a evitar que a carne resseque rapidamente.

Na churrasqueira, também contribui para aquela suculência que aparece quando o corte é preparado no ponto certo.

Isso não significa que toda carne precise ter muita gordura para ser boa.

Cortes mais magros também têm seu valor e podem funcionar bem em receitas específicas. Porém, para quem busca um bife mais macio e úmido, observar o marmoreio pode ser um bom caminho.

Reginaldo orienta olhar a distribuição dessas listras antes de escolher.

O ideal é que a gordura esteja espalhada de forma equilibrada, em fios finos, e não concentrada em grandes blocos no meio da peça.

Também é importante respeitar o preparo. Uma carne marmorizada pode perder qualidade se for colocada em frigideira fria, virada muitas vezes ou cozida por tempo demais.

O recomendado é usar frigideira bem quente, evitar excesso de óleo e deixar o bife dourar antes de virar. Depois do preparo, alguns minutos de descanso ajudam os sucos internos a se redistribuírem.

No fim, aquelas listras que muitos consumidores tentam evitar podem ser justamente o segredo de um bife melhor.

Saber reconhecer o marmoreio ajuda a escolher a carne com mais segurança e a aproveitar melhor cada corte.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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