Arthur Brooks, professor de Harvard: “A coisa mais gentil que você pode dizer a um amigo é que ele é inútil”

Relações profundas ajudam a explicar por que presença, confiança e afeto pesam tanto na hora de considerar alguém como amigo de verdade

Gustavo de Souza -
Arthur Brooks, professor de Harvard: "A coisa mais gentil que você pode dizer a um amigo é que ele é inútil"
(Imagens: Capturas de Tela/YouTube – Dr. Arthur Brooks)

Em um mundo em que relações pessoais muitas vezes se misturam a contatos profissionais, favores e interesses, uma provocação atribuída a Arthur Brooks voltou a chamar atenção.

Professor da Harvard Kennedy School e estudioso da felicidade, Brooks defende que os vínculos mais importantes não são, necessariamente, os mais úteis. A frase sobre dizer a um amigo que ele é “inútil” deve ser entendida nesse contexto.

A ideia não trata de desprezo ou falta de valor. Pelo contrário, aponta para relações que não dependem de vantagem prática, status, dinheiro ou oportunidade.

Amizade sem cobrança

Em artigo publicado na The Atlantic, Brooks diferencia amizades baseadas em conveniência de vínculos buscados por si mesmos. Para ele, uma amizade profunda não deve funcionar como degrau para conquistar algo.

Nesse sentido, chamar um amigo de “inútil” é uma forma provocativa de dizer que ele não precisa servir para nada específico para continuar sendo essencial.

É o amigo que não está presente porque pode abrir portas, resolver problemas ou oferecer benefícios. Está ali porque existe afeto, confiança e prazer na convivência.

O valor dos vínculos

A reflexão dialoga com estudos de Harvard sobre felicidade e envelhecimento. O Harvard Study of Adult Development, uma das pesquisas mais longas sobre vida adulta, aponta que boas relações estão ligadas a mais saúde e bem-estar.

A Organização Mundial da Saúde também passou a tratar a conexão social como tema relevante de saúde pública. Solidão e isolamento podem afetar a saúde emocional e física.

Por isso, a provocação de Brooks funciona como alerta. Nem todo vínculo precisa ter função, retorno ou utilidade imediata.

Algumas amizades importam justamente porque escapam dessa lógica. São relações em que a presença basta — e é isso que as torna tão valiosas.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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