Divisão dos lucros, apoio à comunidade e “ser dono do próprio negócio”: o que justifica a crescente adesão ao cooperativismo em Goiás
Levantamento Fipe em parceria com a OCB aponta que cada R$ 1 investido em crédito gera R$ 2,56 em atividade econômica

“O cooperativismo de crédito valoriza muito as pessoas. O resultado gerado na cooperativa ajuda no desenvolvimento da região”. É com essas palavras que Jaime Antonio Rohr, presidente do Sicredi Celeiro Centro-Oeste, justifica a crescente adesão ao cooperativismo de crédito em Goiás.
Hoje com estimativa de 60 mil associados no estado somente ao Sicredi, o modelo tem se tornado uma alternativa cada vez mais considerada por quem optou se afastar dos bancos tradicionais.
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Para Jaime, a proximidade com a comunidade é decisiva. Ele defende que um dos pontos fortes do modelo é justamente manter o dinheiro rodando no âmbito local, fomentando os pequenos negócios. Isso por conta do caminho que o dinheiro faz.
“Quem é correntista de uma instituição financeira normal não participa do resultado do banco, que vai para os acionistas. E esse recurso não fica na comunidade. Ele vai para São Paulo, Europa, China… diferente de uma cooperativa de crédito, em que os recursos gerados ajudam no desenvolvimento da região”, afirmou ao Portal 6.
O presidente explica que isso é possível por meio das sobras – o lucro que a cooperativa tem ao final do ano. A distribuição, definida em assembleia, costuma seguir um tripé.
Divide-se entre o fundo da cooperativa (como um fundo de reserva), a cota do associado (que é convertida na taxa que ele paga para participar anualmente) e a conta corrente do associado (que funciona como um “extra” que os bancos não têm).
No meio disso tudo, ainda há o fundo social: 12% do resultado é destinado a entidades que possam elaborar projetos “para dar mais qualidade de vida e dignidade às pessoas que mais necessitam”. São exemplos escolas de futebol, karatê ou música que buscam “tirar as crianças da rua”.
“Entidades encaminham os projetos para buscarem recursos gerados pela participação do associado, e que é o mérito desse recurso, para que possam ter o benefício e dar mais dignidade e qualidade de vida a pessoas mais vulneráveis na região onde ficamos”, detalha Jaime.
Comunidade também se beneficia
Por isso, ele defende que os efeitos do cooperativismo podem ser sentidos até mesmo por quem não é associado. Uma pesquisa Fipe publicada em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) em outubro de 2024 ilustra o cenário em números.
Além dos movimentos sociais, o estudo cita consequências no Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos e aumento dos salários. Para isso, considera os resultados em várias escalas, passando pelo impacto direto, indireto e reduzido.
É um efeito cascata: empresas e famílias que participam do modelo mobilizam vários setores, depois essas companhias mobilizadas também investem e consomem produtos de outras marcas, e o processo acaba se espalhando por várias áreas da sociedade.
Diante disso, o estudo aponta que, para cada R$ 1 em crédito, gera-se R$ 2,56 em atividade econômica. O valor adicionado (o quanto um produto valoriza a cada etapa de produção) é de R$ 1,17.
A arrecadação de impostos sobe R$ 0,11, e os salários aumentam em R$ 0,50. Para cada R$ 1 milhão em créditos, a estimativa é de que sejam gerados 22,8 novos empregos.
Em números reais, o Sistema OCB utiliza a demanda anual de empresas e famílias, que soma R$ 52,7 bilhões. Esse montante acaba movimentando R$ 135,1 bilhões.
O Anuário do Cooperativismo, também desenvolvido pelo OCB, estima que existiam 4.384 cooperativas em 2024, com 25,8 milhões de associados e 578.035 empregos gerados.
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