Andrezza Botelho, nutricionista há mais de duas décadas: “Cada organismo tem necessidades específicas; o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra”

Dietas virais e promessas rápidas nas redes podem levar a restrições perigosas e hábitos difíceis de sustentar

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Andrezza Botelho, nutricionista há mais de duas décadas: "Cada organismo tem necessidades específicas; o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra"
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Instagram)

Receitas milagrosas, dietas radicais e promessas de emagrecimento rápido se espalham com facilidade nas redes sociais.

No TikTok, vídeos curtos sobre alimentação acumulam milhares de visualizações e influenciam escolhas que nem sempre têm base científica.

Para a nutricionista Andrezza Botelho, o problema está na forma simplificada como saúde e alimentação são tratadas na internet. Segundo ela, cada organismo tem necessidades específicas, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.

O alerta também aparece em orientações do Ministério da Saúde, que chama atenção para os riscos de conteúdos restritivos, enganosos ou sem respaldo científico na área da nutrição.

Dietas virais podem trazer riscos

Entre as práticas mais comuns nas redes estão jejuns prolongados sem acompanhamento, dietas muito restritivas, consumo exagerado de proteínas e a demonização dos carboidratos.

Essas estratégias costumam viralizar porque prometem resultado rápido, mas nem sempre consideram histórico de saúde, rotina, exames, idade, objetivos e necessidades individuais.

Copiar uma rotina alimentar vista na internet pode causar deficiências nutricionais, queda de energia, compulsão alimentar e piora na relação com a comida.

Além disso, a pressão estética presente nesses conteúdos pode aumentar culpa, ansiedade e comparação.

O erro está em tratar alimentação como fórmula pronta

Uma das armadilhas das redes sociais é transformar alimentação em receita universal.

O que aparece como solução simples para uma pessoa pode não ser adequado para outra.

Isso acontece porque cada organismo responde de um jeito a mudanças alimentares, restrições, treinos, rotina de sono e medicamentos.

Por isso, uma dieta copiada de um vídeo pode até parecer inofensiva, mas trazer riscos quando aplicada sem orientação profissional.

Promessa rápida deve acender alerta

Antes de seguir uma dica de nutrição nas redes, vale observar o tipo de promessa feita no conteúdo.

Termos como “seca barriga”, “emagreça rápido”, “detox milagroso” ou “corte este alimento para sempre” devem acender o alerta.

Também é importante verificar se a orientação vem de um profissional habilitado e se há explicação clara, sem exageros ou medo em torno de alimentos comuns.

Quando a dica depende de restrição extrema, culpa ou promessa de resultado imediato, o risco de desinformação aumenta.

Guia Alimentar recomenda comida de verdade

O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.

Entram nessa lista frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, ovos, leite, carnes, raízes, tubérculos e preparações culinárias feitas com ingredientes simples.

Já os ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, doces industrializados e produtos prontos para consumo, não devem ser a base da rotina alimentar.

A lógica é simples: comida de verdade, variedade e constância costumam ser mais sustentáveis do que dietas radicais.

Redes sociais não substituem consulta

As redes sociais podem até ajudar a divulgar informações úteis, mas não substituem avaliação individual.

Quem deseja emagrecer, tratar sintomas, mudar a alimentação ou iniciar uma dieta específica deve procurar orientação de nutricionista ou médico.

Esses profissionais conseguem avaliar exames, histórico de saúde, preferências alimentares, rotina e possíveis restrições antes de indicar qualquer estratégia.

No fim, alimentação saudável não precisa ser extrema. Com equilíbrio, orientação profissional e senso crítico, é possível usar a internet como fonte de informação, mas sem transformar vídeos virais em regra para o próprio corpo.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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