Fim de uma era: Nestlé demite 16 mil funcionários, fecha 2 fábricas e encerra produção de KitKat nestes países

Uma gigante do setor redefine prioridades enquanto mercados acompanham movimento de perto

Magno Oliver Magno Oliver -
Fábrica Nestlé / Demissão / Funcionário
(Foto: Divulgação/Nestlé )

A Nestlé colocou em marcha uma ampla reestruturação mundial que prevê a redução de cerca de 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027.

Do total, aproximadamente 12 mil vagas estão em áreas administrativas e profissionais, enquanto outras 4 mil serão eliminadas principalmente em fabricação e cadeia de suprimentos.

O plano representa cerca de 5,8% da força de trabalho global da companhia e faz parte da estratégia para reduzir custos, simplificar processos, ampliar a automação e direcionar recursos para negócios considerados prioritários.

A meta de economia do programa Fuel for Growth foi elevada para 3 bilhões de francos suíços até 2027.

As mudanças também chegaram à rede industrial. Na Alemanha, a unidade de Neuss, que fabricava produtos Thomy, como óleo, maionese e mostarda, encerrou a produção em junho de 2026 após mais de um século de atividade no local.

O fechamento atingiu cerca de 145 trabalhadores. Parte da fabricação em tubos será transferida para Lüdinghausen, que receberá investimento de aproximadamente € 13 milhões e terá uma nova linha de produção. A Nestlé apontou custos maiores, queda dos volumes e excesso de capacidade como fatores para a decisão.

Chocolate também entra na mudança

Na Hungria, o próximo encerramento está previsto para dezembro de 2026. A fábrica de Diósgyőr emprega cerca de 220 pessoas e é especializada na produção de figuras ocas de chocolate, muitas delas destinadas à exportação.

Segundo informações da própria Nestlé, a unidade fabrica itens sazonais de marcas como KitKat, Smarties e After Eight, enviados para mais de 20 países.

Portanto, a medida não significa o fim do KitKat como marca ou de toda a sua produção mundial: o impacto se concentra nos produtos de chocolate fabricados nessa unidade húngara.

Brasil segue em outra direção

Enquanto reduz capacidade em alguns mercados, a Nestlé mantém uma estratégia de expansão no Brasil. A companhia anunciou investimentos de R$ 7 bilhões no país entre 2025 e 2028, com recursos destinados à modernização industrial, aumento da capacidade, inovação e sustentabilidade.

Em março de 2026, a Nestlé Purina inaugurou em Vargeão (SC) uma fábrica de R$ 2,5 bilhões, projeto que quase dobra a capacidade brasileira de alimentos úmidos para cães e gatos e também amplia o potencial de exportação.

Os movimentos mostram que a reorganização global não ocorre de maneira uniforme: a empresa fecha ou reduz estruturas consideradas menos competitivas e, ao mesmo tempo, amplia operações em mercados nos quais identifica potencial de crescimento.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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