Cabeleireira pagava R$ 2 mil por mês na escola particular da filha no Brasil, perdeu tudo na pandemia e recomeçou fora do país como cuidadora de idosos, mas a filha ficou 10 meses sem aula na rede pública
Mudança eliminou uma despesa importante da família, mas trouxe uma dificuldade inesperada durante a adaptação ao novo país

Fechar o próprio salão durante a pandemia obrigou a cabeleireira Eliene Oliveira a redesenhar os planos profissionais e familiares.
Moradora de Salvador até então, ela decidiu buscar um recomeço em Portugal, onde passou a conciliar trabalhos como cuidadora de idosos e cabeleireira.
A mudança também transformaria a rotina da filha, Maysa Andrade, que permaneceu inicialmente no Brasil. Na capital baiana, a adolescente estudava em um colégio particular cuja mensalidade, segundo Eliene, chegava a R$ 2 mil.
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Mudança de país
Eliene partiu primeiro e, meses depois, conseguiu levar Maysa para morar com ela. A estudante concluiu o ano letivo brasileiro em novembro de 2021 e desembarcou em Portugal em março de 2022.
Com a filha matriculada posteriormente na rede pública portuguesa, a família deixou de arcar com a antiga mensalidade. A economia, entretanto, veio acompanhada de um problema acadêmico.
Maysa passou cerca de dez meses longe da sala de aula entre a saída da escola brasileira e o início efetivo dos estudos em Portugal.
Reforço necessário
O impacto apareceu principalmente em matemática. Antes considerada uma disciplina em que a jovem apresentava bom desempenho, a matéria passou a representar dificuldade após o longo período sem aulas.
Por isso, Eliene acabou recorrendo ao reforço escolar particular para ajudar a filha a recuperar conteúdos e acompanhar a nova turma.
A adaptação, porém, também apresentou pontos positivos. Maysa relatou melhora no desempenho em outras disciplinas e conseguiu criar vínculos com colegas. A dança, oferecida dentro das atividades escolares, também ajudou na integração.
Brasileiros nas escolas
A experiência da família ocorre em meio ao crescimento da presença brasileira no ensino português. Dados referentes ao ano letivo de 2024/2025 apontaram mais de 88 mil estudantes brasileiros matriculados no sistema de ensino do país, número próximo da metade dos alunos estrangeiros.
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