Aposentado arremata apartamento por R$ 128 mil, encontra antigo dono morando no imóvel e batalha por mais 14 meses para finalmente tomar posse

Caso ilustra um risco que pode transformar o desconto de um imóvel em leilão em meses de espera e gastos que vão além do lance

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Aposentado arremata apartamento por R$ 128 mil, encontra antigo dono morando no imóvel e batalha por mais 14 meses para finalmente tomar posse
Apartamentos em leilão. (Foto: Reprodução)

Comprar um apartamento por R$ 128 mil em leilão parecia uma oportunidade para um aposentado de 68 anos. No entanto, quando chegou ao endereço para iniciar a reforma, encontrou o antigo proprietário ainda morando no imóvel.

A partir daí, começou uma batalha que duraria mais 14 meses na Justiça até a entrega das chaves. A história, porém, é uma situação ilustrativa criada a partir de casos recorrentes envolvendo imóveis ocupados e não corresponde a pessoas reais.

No caso apresentado, o comprador pretendia reformar o apartamento e complementar a renda com aluguel. Antes do lance, ele conferiu fotos, matrícula e débitos disponíveis, mas não conseguiu visitar a parte interna.

Edital já alertava sobre ocupação

O edital informava que o apartamento estava ocupado. Além disso, o documento deixava as providências e os custos da desocupação sob responsabilidade do comprador.

Mesmo assim, o aposentado acreditou que conseguiria resolver a situação por meio de uma conversa.

Depois de pagar o lance, ele recolheu o imposto de transmissão, registrou o título e conseguiu atualizar a matrícula para o próprio nome.

Contudo, ao procurar o imóvel, encontrou o antigo dono, que afirmou não ter intenção de entregar as chaves naquele momento.

Tentativa de acordo não funcionou

Durante 45 dias, o novo proprietário tentou solucionar o impasse sem recorrer à Justiça.

Ele enviou uma notificação com aviso de recebimento, ofereceu prazo para a mudança e procurou a responsável pelo leilão.

Ainda assim, não conseguiu receber o apartamento. Por isso, reuniu os documentos e buscou orientação jurídica para pedir a imissão na posse.

O que diz a legislação

A Lei 9.514/1997 trata da alienação fiduciária de imóveis. O artigo 30 prevê medida liminar para desocupação em 60 dias, desde que o interessado comprove os requisitos legais e a propriedade.

Esse prazo, entretanto, não significa que todo o processo terminará em dois meses.

Citação do ocupante, apresentação de defesa, recursos e cumprimento da ordem podem prolongar a espera.

Além disso, a mesma legislação prevê, em determinadas situações, uma taxa de ocupação de 1% ao mês ou fração. O cálculo não corresponde necessariamente a 1% do valor pago no leilão e depende dos parâmetros legais e da análise do caso.

Chaves chegaram 14 meses depois

No exemplo apresentado, o comprador só recebeu as chaves 14 meses depois de ajuizar a ação.

Quando finalmente entrou no apartamento, ainda encontrou pintura desgastada, torneiras vazando e contas que precisavam de conferência.

Assim, o lance de R$ 128 mil representou apenas uma parte do custo da aquisição.

O caso serve de alerta para quem pensa em comprar imóveis ocupados em leilão. Além do preço, é importante considerar tributos, registro, condomínio, possíveis despesas jurídicas e o período em que o imóvel pode permanecer indisponível.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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