OAB-GO questiona decisão do CNJ que devolveu mandato a Aava Santiago e aponta insegurança jurídica

Entidade contesta interferência em julgamento da Justiça Eleitoral e se manifesta sobre suspeitas envolvendo o uso de inteligência artificial

Lara Duarte Lara Duarte -
Aava Santiago retomou o mandato na Câmara de Goiânia após liminar do CNJ. (Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Goiânia)
Aava Santiago retomou o mandato na Câmara de Goiânia após liminar do CNJ. (Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Goiânia)

A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO) questionou, neste sábado (10), a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que suspendeu a cassação da vereadora Aava Santiago (PSB) e permitiu seu retorno à Câmara de Goiânia.

Em nota, a entidade afirmou que o Conselho teria ultrapassado suas atribuições ao suspender os efeitos de uma decisão tomada pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).

“Ao retirar a eficácia de uma decisão judicial, o Conselho ultrapassa as atribuições que a Constituição Federal lhe confere”, destacou.

A manifestação ocorre após o ministro Benedito Gonçalves conceder uma liminar, na noite de sexta-feira (09), suspendendo a perda do mandato de Aava por infidelidade partidária.

Com isso, a vereadora pôde retornar ao Legislativo, enquanto a posse do suplente Michel Magul (PSDB), realizada no mesmo dia, perdeu seus efeitos.

Questionamentos sobre inteligência artificial

A decisão do CNJ envolve suspeitas de irregularidades no uso de inteligência artificial (IA) durante a elaboração do acórdão que cassou o mandato.

Para a OAB-GO, porém, o uso da tecnologia é permitido pelo Judiciário, desde que exista supervisão humana.

A entidade argumenta que o caso foi analisado e julgado por sete magistrados do TRE-GO, inclusive na apreciação de recursos, e que o resultado não pode ser atribuído exclusivamente a uma ferramenta tecnológica.

A Ordem também considera que a suspensão gera insegurança jurídica, ao colocar em dúvida a eficácia de uma decisão colegiada da Justiça Eleitoral.

O CNJ, por sua vez, esclareceu que não está reavaliando se houve infidelidade partidária, mas apenas possíveis irregularidades administrativas na elaboração do documento.

O TRE-GO terá 15 dias para apresentar esclarecimentos. Enquanto a liminar estiver em vigor, Aava permanece no cargo.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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