Cientistas dos EUA detectam síndrome estomacal grave ligada ao uso de maconha

Essa descoberta ajuda a explicar sintomas que milhares de pacientes enfrentam há anos sem resposta

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Cientistas dos EUA detectam síndrome estomacal grave ligada ao uso de maconha
(Foto: Reprodução/ Agência Brasil)

O uso de maconha faz parte da rotina de muitas pessoas, mas novos estudos mostram que o consumo frequente pode gerar efeitos inesperados.

Agora, cientistas dos Estados Unidos identificam uma síndrome estomacal grave ligada diretamente ao uso prolongado de maconha, e essa descoberta ajuda a explicar sintomas que milhares de pacientes enfrentam há anos sem resposta.

O que é a síndrome de hiperêmese cannabinoide

Pesquisadores da Universidade de Washington descrevem a síndrome de hiperêmese cannabinoide como uma condição que surge em quem usa maconha de forma constante.

Ela causa dor abdominal intensa, náuseas e vômitos repetidos.

Antes, muitos pacientes recebiam diagnósticos diferentes a cada consulta, o que atrasava o tratamento.

Com a inclusão do código R11.16 na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, médicos agora conseguem registrar e monitorar os casos com muito mais clareza.

Por que o novo código muda tanta coisa

Com o código oficial, hospitais e equipes de saúde conseguem organizar melhor os registros de pacientes.

Além disso, o sistema facilita estudos sobre padrões, frequência de sintomas e formas de tratamento.

Esse passo reforça as pesquisas sobre os efeitos adversos da maconha e ajuda a construir dados confiáveis, algo que os médicos esperavam há anos.

Beatriz Carlini, pesquisadora da Universidade de Washington, explica que essa padronização permite acompanhar os casos com precisão e gerar informações sólidas para novas investigações.

Quem pode desenvolver a síndrome

Apesar de a síndrome surgir com o uso contínuo de maconha, especialistas ainda não conseguem definir por que alguns usuários desenvolvem o problema e outros não.

Chris Buresh, médico de emergência, afirma que cada pessoa reage de forma diferente.

Em certos casos, pequenas quantidades de maconha já desencadeiam sintomas fortes.

Em outros, os sinais aparecem apenas com uso intenso.

Por isso, qualquer pessoa que consuma a substância com frequência precisa ficar atenta.

Por que os casos aumentaram nos últimos anos

Nos últimos anos, hospitais registraram um aumento expressivo de pacientes com vômitos prolongados e dores abdominais severas.

Muitos voltavam várias vezes ao pronto-socorro sem diagnóstico definido, o que elevava custos e atrasava o tratamento.

Esse cenário preocupa, principalmente porque a maconha costuma ser usada para aliviar náuseas em pacientes com câncer, HIV ou enxaqueca.

A nova síndrome força médicos a reavaliar essa prática.

Como os sintomas aparecem

Os episódios geralmente começam até 24 horas após o último uso de maconha e podem durar vários dias.

Normalmente, eles se repetem de três a quatro vezes ao ano. Tratamentos tradicionais, como remédios contra náuseas, nem sempre funcionam.

Por isso, muitos médicos recorrem a alternativas como Haldol ou cremes com capsaicina, que aquecem a pele e aliviam o desconforto.

Além disso, banhos quentes costumam trazer alívio rápido, tanto que alguns pacientes gastam toda a água quente da casa durante as crises.

Por que o diagnóstico ainda enfrenta resistência

Muitas pessoas têm dificuldade em aceitar que a maconha pode estar causando o problema.

Isso acontece porque elas já usaram a planta para tratar dores, ansiedade ou náuseas e não imaginam que ela também possa gerar sintomas tão fortes.

A frequência irregular das crises também confunde o usuário, que acredita estar passando por episódios isolados.

Para complicar ainda mais, quem decide parar às vezes enfrenta dependência, o que dificulta a recuperação.

Mesmo com esses desafios, o novo código de diagnóstico abre caminho para pesquisas mais profundas e ajuda médicos a identificar a síndrome com mais rapidez.

Com isso, mais pessoas conseguem entender o que está acontecendo com o próprio corpo e recebem orientações adequadas.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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