Segundo psicólogos, pessoas que cresceram nos anos 80 e 90 desenvolveram um hábito difícil de abandonar que afeta a forma de buscar felicidade

Influência de filmes, desenhos e histórias com finais perfeitos criou a chamada “falácia da chegada”, que ainda molda expectativas emocionais na vida adulta

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Psicólogos explicam como quem cresceu nos anos 80 e 90 desenvolveu a falácia da chegada, hábito que influencia a forma de buscar felicidade ao longo da vida.
(Foto: Freepik)

Crescer assistindo a filmes da Disney, histórias infantis e comédias românticas marcou profundamente quem viveu a infância e a adolescência nos anos 80 e 90.

Desde cedo, a ideia de que tudo termina com um “e eles foram felizes para sempre” passou a ser vista como um objetivo de vida. Com o tempo, essa noção deixou de ser apenas ficção e passou a influenciar expectativas reais.

Além disso, o conceito não ficou restrito aos relacionamentos. Aos poucos, ele se expandiu para a carreira, para a vida financeira e para conquistas pessoais.

Dessa forma, consolidou-se a crença de que alcançar determinado objetivo seria suficiente para garantir felicidade permanente.

A chamada falácia da chegada

Foi nesse contexto que o psicólogo Tal Ben-Shahar, professor de Harvard e especialista em psicologia positiva, cunhou o termo “falácia da chegada”. Segundo ele, trata-se da crença equivocada de que a felicidade depende da conquista de um marco específico.

Por exemplo, casar, conquistar um cargo desejado ou atingir uma renda ideal passam a ser vistos como pontos finais. No entanto, a psicologia mostra que a felicidade não funciona assim.

Pelo contrário, ela é um estado emocional transitório, ajustado constantemente pelo cérebro.

Por que a felicidade não dura após grandes conquistas

Para entender melhor esse processo, estudos com ganhadores da loteria ajudam a ilustrar o fenômeno. Em grande parte dos casos, alguns meses após o prêmio, essas pessoas retornam a níveis de felicidade semelhantes aos anteriores.

Isso acontece por causa da chamada adaptação hedônica.

Consequentemente, muitas pessoas experimentam uma queda emocional logo após alcançar grandes objetivos. Em geral, a antecipação gera mais prazer do que a chegada em si.

Quando a conquista não resolve todos os problemas, a frustração surge e a sensação de vazio aparece.

Valorizar o processo em vez do destino final

Diante disso, psicólogos defendem uma mudança de perspectiva. Em vez de tratar a felicidade como um destino, o ideal é valorizá-la como parte do processo. Assim, pequenas conquistas e aprendizados diários passam a ter mais peso emocional.

Ainda que essa visão afaste o clássico “felizes para sempre”, ela ajuda a reduzir expectativas irreais. Além disso, impede que momentos de estagnação sejam confundidos com fracasso ou infelicidade permanente.

Dessa maneira, torna-se mais fácil lidar com os altos e baixos naturais da vida.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.