Jovem que ficou em 1º lugar em Medicina na USP escolhe seguir rumo diferente da carreira médica

Aos 18, Paulo foi 1º em Medicina na UFSCar e liderou Música na USP e Unesp, mas decidiu cursar Piano e mira carreira nos palcos

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Jovem que ficou em 1º lugar em Medicina na USP escolhe seguir rumo diferente da carreira médica
(Foto: Reprodução/Captura de Tela/YouTube)

Aos 18 anos, Paulo Arnaldo Duarte, de São José do Rio Preto (SP), viveu um daqueles resultados que parecem roteiro de filme.

Em vez de comemorar uma única aprovação, ele viu seu nome no topo de listas disputadíssimas em áreas bem diferentes. Medicina e música, lado a lado, como se fossem escolhas equivalentes.

Paulo conquistou o primeiro lugar em Medicina na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e ainda liderou as listas de aprovados em Música na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). No papel, o caminho da carreira médica parecia aberto, com vaga garantida.

Mas foi justamente aí que ele fez a escolha que surpreendeu muita gente. Paulo decidiu seguir o plano que já vinha amadurecendo e ingressar no bacharelado em Piano na USP, colocando a música como destino principal.

Aprovação em Medicina virou teste e acabou no topo do Enem

A classificação em Medicina aconteceu de um jeito incomum. Paulo usou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um teste, já que os cursos de música que ele buscava não tinham o exame como critério central.

O resultado, porém, foi além do esperado. O desempenho colocou o estudante em primeiro lugar no curso de Medicina da UFSCar, um dos mais concorridos do país, e rapidamente transformou o “teste” em notícia.

Mesmo com a possibilidade real de seguir para a área da saúde, ele preferiu não mudar o roteiro. A decisão foi tomada depois da confirmação das aprovações, baseada no interesse já definido pela formação musical.

Para Paulo, a aprovação em Medicina acabou sendo mais um reflexo da disciplina e do método de estudo do que uma mudança de vocação. No fim, o que pesou foi a direção que ele já havia escolhido antes de ver o resultado.

Música desde a infância e rotina intensa de estudos no piano

A música acompanha Paulo desde muito cedo. Ele começou no violino aos 3 anos, passou pelo saxofone e, em 2020, decidiu concentrar energia no piano, justamente na reta final do ensino médio.

A transição não foi simples, mas veio com uma rotina pesada. Nos fins de semana, a prática chegava a até sete horas por dia, em um ritmo que exigia foco para conciliar escola, preparação e evolução técnica.

Ele iniciou os estudos com a professora Jussara Pinto e depois passou a ter orientação do pianista Luiz Guilherme Pozzi. O caminho foi ganhando consistência e, com isso, oportunidades mais exigentes também apareceram.

Em 2025, Paulo participou de masterclasses na Polônia, com aulas de professores convidados, como Nikolai Demidenko e Cristian Budu. A experiência ajudou a ampliar referências e a afinar o projeto de carreira.

Prêmios, recitais e os planos para atuar como solista e professor

O currículo do estudante já inclui premiações em concursos nacionais. Paulo ficou em primeiro lugar no III Concurso GruPiano e em segundo no XIV Concurso Edna Bassetti Habith, resultados que reforçam sua presença no circuito da música clássica.

Além disso, ele realizou recitais solo em séries no Rio de Janeiro e em São Paulo. É o tipo de experiência que ajuda a construir repertório, palco e maturidade artística ainda cedo.

Para os próximos anos, Paulo projeta atuar como pianista solista e também com orquestras, ampliando o alcance da performance. A ideia é seguir no eixo de grandes obras, interpretações e repertórios mais exigentes.

Ele também mira a área acadêmica, com foco em docência universitária em música. Em vez de consultório e jaleco, o plano é outro: palco, estudo e ensino.

Confira uma gravação de Paulo tocando em seu canal pessoal no YouTube:

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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