O trem que só parava para uma pessoa: a estação que o Japão manteve aberta por uma única passageira até ela concluir sua missão

Decisão priorizou acesso à educação e repercutiu mundialmente como exemplo de política pública centrada nas pessoas

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
O trem que só parava para uma pessoa marcou a história do Japão, que manteve uma estação ativa em Hokkaido para garantir que uma estudante pudesse ir à escola até se formar.
(Imagem: Ilustração/Divulgação/Twitter/@foxnumber6)

O trem que só parava para uma pessoa virou símbolo de uma decisão incomum no Japão. A estação ferroviária permaneceu ativa para garantir que uma estudante conseguisse ir e voltar da escola em uma área rural de Hokkaido.

O caso ganhou repercussão justamente porque a operação continuou mesmo com baixa demanda de passageiros.

No início da década de 2010, a operadora Japan Railways avaliou encerrar pequenas estações rurais no norte do país. O número de usuários havia caído de forma significativa.

Além disso, os serviços de carga já estavam suspensos, o que reduziu ainda mais a viabilidade econômica dessas estruturas.

Estação permaneceu aberta por necessidade social

Entre as estações analisadas estavam Kami-Shirataki, Kyu-Shirataki e Shimo-Shirataki, localizadas em áreas remotas de Hokkaido. No entanto, a empresa identificou que estudantes ainda dependiam da linha ferroviária. Uma adolescente do ensino médio utilizava a estação diariamente para chegar à escola.

Sem o trem, ela precisaria caminhar por mais de uma hora até outra estação. Por isso, a operadora decidiu manter o funcionamento do local.

Em vez de encerrar as atividades, a empresa ajustou os horários dos trens conforme o calendário escolar.

Na prática, apenas dois trens paravam na estação em vários dias. Um trem levava a estudante pela manhã. O outro garantia o retorno no período da tarde. Dessa forma, a estação continuou ativa não por lucro, mas por necessidade educacional.

Rotina limitada e horários rigorosos

Mesmo com o serviço disponível, a logística era restrita. A baixa frequência de trens exigia uma rotina rígida. Além disso, a estudante não conseguia participar de muitas atividades extracurriculares.

Em algumas ocasiões, ela precisava sair rapidamente da escola para não perder o último trem do dia.

Ainda assim, a manutenção da estação assegurou o acesso contínuo à educação. Enquanto isso, outras alternativas de transporte público na região eram praticamente inexistentes.

Portanto, o trem que só parava para uma pessoa representava mais do que um serviço ferroviário: ele garantia a permanência escolar.

Encerramento ocorreu após a conclusão dos estudos

Em março de 2016, a estudante concluiu o ensino médio. Logo depois, a estação foi oficialmente desativada. A história se espalhou nas redes sociais e passou a ser vista como exemplo de sensibilidade na gestão pública e na infraestrutura.

Posteriormente, surgiram relatos de que a jovem não era a única usuária da linha. Alguns alunos embarcavam em estações próximas com horários semelhantes.

Mesmo assim, a decisão de manter a operação evitou que estudantes da região tivessem o acesso à escola interrompido.

Assim, o caso reforçou a prioridade dada ao coletivo e à educação. Ao manter a estação ativa até o fim do ciclo escolar, o Japão mostrou que políticas públicas podem considerar necessidades sociais antes da lógica econômica.

 

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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