Fruta do milagre: a fruta que engana o paladar e deixa qualquer alimento doce

Pequeno fruto vermelho provoca transformação curiosa na experiência alimentar

Magno Oliver Magno Oliver -
Fruta do milagre: a fruta que engana o paladar e deixa qualquer alimento doce
(Foto: Captura de tela / Youtube / Canal Horto Meireles)

Conhecida popularmente como fruta-do-milagre, a espécie africana Synsepalum dulcificum tem despertado interesse científico e gastronômico por sua capacidade incomum de alterar temporariamente a percepção do sabor.

Após mastigar sua polpa, alimentos naturalmente ácidos ou amargos passam a ser percebidos como doces por cerca de 30 minutos a duas horas.

O fenômeno não envolve adição de açúcar, mas sim uma modificação momentânea no funcionamento das papilas gustativas.

O efeito ocorre devido à presença da proteína miraculina. Estudos publicados em bases científicas como a National Library of Medicine indicam que a miraculina se liga aos receptores de sabor doce na língua.

Em condições normais de pH, ela permanece inativa. No entanto, quando entra em contato com alimentos ácidos, sofre alteração estrutural e ativa esses receptores, fazendo com que o cérebro interprete o estímulo como doçura.

Trata-se de um mecanismo bioquímico reversível e temporário. Originária da África Ocidental, a fruta é pequena, de coloração vermelha intensa, e tradicionalmente consumida por populações locais antes de refeições com alimentos fermentados ou ácidos.

Pesquisas conduzidas desde a década de 1970 investigam seu potencial como alternativa ao açúcar, especialmente para pessoas com diabetes ou que buscam reduzir o consumo de sacarose.

Ainda assim, autoridades regulatórias, como a Food and Drug Administration (FDA), classificam a miraculina como suplemento alimentar nos Estados Unidos, não como adoçante aprovado.

Do ponto de vista nutricional, a fruta-do-milagre possui baixo valor calórico e pequenas quantidades de vitamina C, fibras e antioxidantes naturais.

Seu principal atrativo, contudo, não está na composição nutricional, mas na capacidade de alterar a experiência sensorial.

Médicos e Nutricionistas alertam que o consumo não substitui tratamento médico e que pessoas com condições específicas devem consultar profissionais de saúde antes de utilizar o produto com frequência.

Em 2026, o interesse pela fruta cresceu impulsionado por vídeos nas redes sociais e por experiências gastronômicas conhecidas como “festas do sabor”, nas quais participantes testam diferentes alimentos após ingerir a fruta.

Embora o apelido sugira algo sobrenatural, o chamado “milagre” é explicado pela ciência. O efeito é passageiro, não modifica permanentemente o paladar e não altera a composição química dos alimentos, apenas a forma como o cérebro os interpreta.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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