Jovem se recusa a trabalhar e obriga pais a sustentá-lo: “eu nasci sem meu consentimento”

Declaração de jovem que se recusa a trabalhar divide opiniões e reacende debate sobre responsabilidade e autonomia

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Jovem se recusa a trabalhar e obriga pais a sustentarem
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/YouTube/Abitare)

“Se eu não pedi para nascer, por que tenho que trabalhar?” A frase, dita por um jovem brasileiro de 21 anos, transformou um vídeo curto em um debate de grandes proporções.

O autor do vídeo é Hassan Azteca, tiktoker que decidiu expor a sua opinião, para muitos polêmica: a escolha de não trabalhar e de cobrar dos pais o próprio sustento.

No vídeo, o jovem sustenta que, se foram os pais que escolheram ter um filho, eles é que têm de arcar com as consequências disso. “Que me sustentem e pronto”, afirma, defendendo que não se sente moralmente obrigado a ingressar no mercado de trabalho.

A declaração tomou grandes proporções nas redes sociais. Para muitos, a fala é imatura, por negar responsabilidades da vida adulta, argumentando que o trabalho é parte essencial da construção individual.

Para outros, o questionamento toca em um ponto sensível: até que ponto a obrigação de trabalhar é uma escolha pessoal ou uma imposição social? Quais são os limites da autonomia individual?

O debate deixou de ser um assunto raso e passou a envolver temas mais amplos. Na atualidade, jovens enfrentam dificuldades de acesso a oportunidades, educação de qualidade e perspectiva de futuro, além de uma autocobrança desleal, que gera frustração e desesperança.

Hassan está longe de ser o primeiro a questionar a lógica tradicional do trabalho, e essas ideias têm suas raízes na filosofia. Os filósofos gregos, por exemplo, em geral defendiam a importância do ócio e a vida contemplativa poderia levar a uma existência mais leve.

Obviamente, essas ideias, defendidas por Aristóteles, fazem sentido para o seu contexto e o de seu tempo e não servem idealmente para a atualidade e a realidade dos brasileiros.

Voltando ao pronunciamento, a repercussão do caso revela mais do que uma opinião individual e expõe um choque geracional, no qual diversos valores estabelecidos são questionados por discursos novos.

Entre críticas e apoio, o episódio coloca em evidência um dilema contemporâneo: até onde vai o direito de escolher como viver?

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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