Home office: nova lei aprovada dá direito a trabalhar de casa dois dias por semana neste país

Nova legislação em Victoria pretende garantir por lei o direito ao home office parcial, permitindo até dois dias de trabalho remoto por semana

Gustavo de Souza -
Home office: nova lei aprovada dá direito a trabalhar de casa dois dias por semana neste país
(Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Trabalhar de casa por parte da semana deixou de ser apenas um acordo informal em muitas empresas e passou a entrar no território da lei. Este estado caminha para se tornar a primeira jurisdição do país a garantir por legislação o direito de atuar remotamente até dois dias por semana, com início previsto para 1º de setembro.

O anúncio foi feito pela Jacinta Allan, primeira-ministra de Victoria, estado da Austrália, que defendeu a medida como uma forma de dar previsibilidade às famílias e ampliar a participação no mercado de trabalho.

O que a regra muda

Pelo desenho apresentado, a mudança será incorporada à Lei de Igualdade de Oportunidades (Equal Opportunity Act) e permitirá que funcionários façam uma solicitação formal para trabalhar remotamente até dois dias por semana, desde que a função possa ser desempenhada fora do escritório de forma razoável.

A ideia não é automática para todo mundo: o mecanismo central é o direito de fazer a solicitação do estilo de jornada e obrigar o empregador a tratar o pedido com critérios claros, reduzindo negativas sem justificativa.

E as pequenas empresas?

A regra será válida para todos os locais de trabalho, mas empresas com menos de 15 funcionários terão mais tempo para se adequar. Nesse grupo, a implementação foi adiada para 1º de julho de 2027, segundo as informações divulgadas sobre o pacote.

O argumento do governo: família, tempo e custo de vida

Ao apresentar o plano, Allan sustentou que o trabalho remoto tem efeitos diretos sobre a rotina e o orçamento das famílias, ao reduzir deslocamentos e liberar tempo para cuidados com filhos e outras responsabilidades. Em comunicados anteriores sobre a iniciativa, o governo de Victoria também citou economia anual para famílias e impactos em congestionamento e participação na força de trabalho.

A proposta começou a ser construída publicamente em 2025, quando o governo estadual anunciou a intenção de transformar o home office em direito e afirmou que, se a pessoa consegue trabalhar de casa, deveria ter essa possibilidade assegurada por lei.

Empresas criticam: “um modelo imposto” não serve para todos

A reação de entidades empresariais foi imediata. O Business Council of Australia classificou a ideia como uma abordagem “tamanho único”, argumentando que diferentes setores têm rotinas, necessidades e estruturas variadas, e que uma exigência legal pode gerar custos adicionais e burocracia justamente em um cenário de produtividade fraca e pressão econômica.

Por que esse debate virou tão sensível em Melbourne

O pano de fundo ajuda a explicar por que o tema ganhou força e também resistência. Melbourne, capital de Victoria, viveu alguns dos lockdowns mais longos da pandemia, e a retomada do centro comercial ainda é tratada como desafio por setores ligados a comércio, eventos e serviços.

Além disso, o tema tende a pesar no calendário político local: Allan disputa eleições em novembro, e o home office aparece como bandeira capaz de dialogar com custo de vida e organização familiar, pontos sensíveis no pós-pandemia.

O que observar daqui para frente

Mesmo com a aprovação e data anunciada, especialistas e empresas devem concentrar o debate em três pontos:

  • o que será considerado razoavelmente possível para trabalho remoto;
  • quais justificativas serão aceitas para negar o pedido;
  • como será a fiscalização e a resolução de conflitos.

Se o modelo funcionar como o governo promete, Victoria pode abrir caminho para iniciativas semelhantes em outras regiões da Austrália — ou até virar referência no debate global sobre flexibilização do trabalho no pós-pandemia.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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