CREA-GO contesta reportagem e diz que gastos com delegação seguem “padrão histórico e legal”

Em pedido de "direito de resposta", o conselho sustenta que as despesas com a comitiva foram aprovadas de forma democrática pelo Plenário e destaca arquivamento de denúncia semelhante pelo Ministério Público Federal

Danilo Boaventura Danilo Boaventura -
CREA-GO contesta reportagem e diz que gastos com delegação seguem “padrão histórico e legal”
Sede do CREA-GO, em Goiânia. (Foto: Divulgação)

Após a publicação de reportagem da coluna Rápidas, do Portal 6, sobre os custos previstos para a comitiva goiana na 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO) encaminhou manifestação oficial à direção do veículo.

No documento, apresentado como pedido de “direito de resposta”, afirma que a formação e o custeio da delegação não resultaram de decisão isolada da atual gestão e “foram aprovadas de forma democrática pelo Plenário”.

A autarquia também sustenta que a composição da comitiva “não obedece a alinhamentos políticos”, mas ao “estrito cumprimento normativo”.

Os custos com diárias, passagens e auxílio traslado também seguem, argumenta o CREA-GO, parâmetros definidos pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), entre eles a Decisão Plenária nº 0250/2026 e a Portaria nº 452/2022.

Ainda segundo o CREA-GO, a comparação com os gastos de 2025 precisa considerar o contexto financeiro do período. Segundo a manifestação, “a real atipicidade ocorreu no ano de 2025, e não em 2026”, quando restrições orçamentárias teriam levado à contenção de despesas.

O conselho afirma que encerrou o exercício seguinte com “superávit de quase R$ 15 milhões”. Com isso, a previsão de R$ 1.726.450,16 para 2026 representaria, na avaliação da entidade, uma retomada do “padrão regular de participações”.

Para sustentar essa posição, o CREA-GO citou dados de anos anteriores. Em 2023, a delegação teria contado com 245 pessoas, ao custo de R$ 1.430.457,62. Em 2024, foram 234 participantes, com despesa de R$ 1.140.437,32.

O conselho afirma ainda que, corrigido pelo IPCA-E, o valor de 2023 equivaleria atualmente a R$ 1.639.677,12, montante próximo ao projetado para 2026. Para a autarquia, “não há, portanto, ‘gasto milionário’ inédito, mas a manutenção de um histórico de fomento institucional”.

Contraponto político e posicionamento do MPF

O CREA-GO também se manifestou sobre a menção ao calendário eleitoral do sistema. Segundo o documento, o atual presidente do conselho “sequer é candidato nas eleições do sistema neste ano”.

A entidade acrescenta que a composição da delegação segue critérios técnicos e institucionais semelhantes aos de anos anteriores, incluindo inspetores, representantes municipais, conselheiros suplentes, colaboradores, convidados e integrantes de programas como o CREA Jovem e o Jovem Engenheiro.

Por fim, o conselho cita que questionamentos semelhantes sobre o custeio de delegações foram analisados pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2023, no Procedimento Preparatório nº 1.18.000.001657/2023-07.

Segundo o CREA-GO, o caso foi arquivado após apuração que não constatou “nenhuma irregularidade, fraude ou crime de improbidade administrativa” no custeio das delegações para a SOEA.

A íntegra do texto enviado pelo CREA-GO pode ser lida clicando aqui.

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Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.

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