“Aos campeões, o desconforto”
O desconforto não é sinal de fracasso; muitas vezes, é o combustível do progresso

“Aos campeões, o desconforto.” A frase atribuída ao técnico de vôlei multicampeão Bernardinho carrega uma verdade que vale para o esporte, para a gestão pública e para a vida.
O Brasil chega às oitavas de final da Copa do Mundo de futebol mostrando confiança e desconfiança com os resultados dentro de campo. Mas quem acompanha o esporte sabe que o maior risco de uma equipe não é a derrota. É a acomodação. Quando surgem os elogios, as manchetes favoráveis e a sensação de dever cumprido, nasce também a tentação de diminuir o ritmo.
O mesmo acontece com as cidades. No próximo mês, Anápolis celebra mais um aniversário. Obras sendo entregues e serviços avançando. Mas nenhuma cidade cresce de forma consistente vivendo apenas das conquistas já alcançadas. Os melhores resultados costumam surgir justamente quando existe inconformismo com o que ainda precisa melhorar. Quando a satisfação pelos avanços não elimina a disposição para enfrentar os problemas que permanecem.
Talvez essa seja a principal lição dos campeões. O desconforto não é sinal de fracasso; muitas vezes, é o combustível do progresso. As conquistas nunca eliminam as críticas. Algumas são legítimas e ajudam a corrigir rumos. Outras nascem do inconformismo do derrotado, de quem não aceita ver o adversário obter resultados. No fim das contas, a população costuma ser um árbitro mais justo do que os discursos políticos e as manchetes do dia.
No futebol, as equipes que levantam troféus são aquelas que continuam treinando como se ainda não tivessem vencido nada. Na vida pública acontece o mesmo. O futuro pertence menos aos que comemoram o que já fizeram e mais aos que, mesmo diante dos aplausos, acordam cedo no dia seguinte dispostos a trabalhar como se a partida mais importante ainda estivesse por começar.
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