Acordar várias vezes para ir ao banheiro urinar pode ser sinal de apneia e não apenas bexiga, segundo médicos do sono

Estudo publicado na revista Neurourology and Urodynamics indica que a noctúria, o hábito de acordar para urinar, pode ter relação com a apneia do sono, um distúrbio muitas vezes ignorado

Daniella Bruno -
Pessoa acordada durante a madrugada ao lado da cama, representando idas frequentes ao banheiro para urinar durante a noite

Levantar da cama uma, duas, três vezes na madrugada para ir ao banheiro parece um problema exclusivamente de bexiga.

E, na maioria das vezes, é assim que a queixa é tratada. Só que nem sempre a origem está onde todo mundo imagina.

Quando esse hábito se repete muito e vem acompanhado de ronco, cansaço ao acordar e sono picado, a causa pode estar na respiração durante o sono, mais especificamente na apneia obstrutiva do sono. É o que reforça um estudo recente sobre o tema.

O nome técnico para acordar à noite a fim de urinar é noctúria. Ela ganha importância quando acontece com frequência, atrapalha o descanso e deixa a pessoa sonolenta no dia seguinte.

Nem toda noctúria vem da bexiga

A noctúria tem uma lista longa de possíveis causas, e a bexiga é apenas uma delas. Infecção urinária, diabetes, uso de diuréticos, aumento da próstata e consumo de álcool à noite também entram na conta, assim como as alterações do sono.

Por isso, tratar só o trato urinário nem sempre resolve. Se o gatilho real estiver no sono, a pessoa pode passar anos tentando corrigir uma “bexiga fraca” que, na verdade, é consequência de outro problema.

Por que a apneia aumenta a vontade de urinar

Na apneia do sono, a respiração para ou fica muito reduzida várias vezes ao longo da noite.

Essas pausas provocam microdespertares, quedas na oxigenação e alterações hormonais que estimulam o corpo a produzir mais urina enquanto a pessoa dorme.

O resultado é uma armadilha e tanto. O indivíduo acorda por causa da respiração ruim, sente vontade de urinar e conclui que o problema está na bexiga, quando o verdadeiro responsável é o distúrbio respiratório.

O que o estudo científico encontrou

A pesquisa que reacendeu o debate se chama “Improving Nocturia Management Through Sleep Apnea Diagnosis and Treatment”, publicada na revista científica Neurourology and Urodynamics e conduzida por uma equipe liderada por F. Pearce Kudlata, da Augusta University, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores acompanharam pacientes com noctúria encaminhados para um exame do sono feito em casa.

Entre os 37 que completaram o teste, todos preencheram os critérios para apneia obstrutiva do sono. Dos que iniciaram tratamento com aparelhos de pressão positiva (CPAP ou APAP), boa parte relatou melhora nos sintomas urinários.

Vale um cuidado na leitura desse resultado: trata-se de um estudo retrospectivo e com poucos participantes, o que significa que ele não prova que toda noctúria seja causada por apneia.

Ainda assim, a ligação entre os dois problemas já é bem estabelecida na literatura médica, e o achado reforça que investigar o sono pode mudar o rumo do tratamento.

Sinais que merecem atenção

A noctúria pede uma avaliação mais ampla quando aparece junto de indícios de um sono que não descansa. Vale ligar o alerta diante de sinais como:

  • Ronco alto: principalmente quando vem com pausas na respiração;
  • Acordar engasgado ou sufocado, muitas vezes com a boca seca;
  • Sonolência durante o dia: mesmo depois de muitas horas na cama;
  • Dor de cabeça pela manhã ou dificuldade de concentração;
  • Levantar para urinar duas ou mais vezes quase todas as noites.

O que fazer ao perceber esse padrão

Se as idas ao banheiro à noite são frequentes, vale reunir algumas informações antes de procurar o médico. Esse registro simples ajuda a apontar a causa certa e evita tratamentos pela metade:

  • Conte as idas: anote quantas vezes acorda para urinar e em quais horários;
  • Observe o sono: repare se há ronco, pausas na respiração ou noites agitadas;
  • Liste os remédios: informe o que usa, especialmente diuréticos;
  • Evite cortar líquidos de forma exagerada por conta própria;
  • Busque avaliação médica diante de cansaço intenso, pressão alta ou sono ruim.

O tratamento sempre depende da causa. Em alguns casos, ajustes voltados à bexiga resolvem; em outros, cuidar da apneia com aparelhos como o CPAP, perda de peso ou mudança na posição de dormir melhora o sono e reduz as idas ao banheiro. Na dúvida, o caminho é conversar com um profissional.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.

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Daniella Bruno

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO do Portal 6, em Goiânia. Atua na produção e otimização de conteúdos digitais, com foco em matérias soft sobre comportamento, curiosidades e temas do cotidiano.

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