Fundada há 27 anos, tradicional livraria de Anápolis acompanhou mudanças no Centro e precisou se reinventar

Empresário contou ao Portal 6 sobre o passar do tempo no setor e os principais desafios que precisaram contornar

Natália Sezil -
Interior da Livraria Cultural, que está no Centro de Anápolis há 27 anos.
Interior da Livraria Cultural, que está no Centro de Anápolis há 27 anos. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Estantes abarrotadas de livros, gavetas com discos de vinil, uma parede cheia de CDs e mangás distribuídos entre balcões. É este o cenário que um morador de Anápolis encontra logo ao entrar na Livraria Cultural, que está há 27 anos na Barão do Rio Branco, uma das principais ruas do Setor Central.

Com espaço conquistado entre as mais tradicionais no município (disputando a 1ª posição com a Livraria Marília, que foi encabeçada pelo “Seu” Alonso durante meio século), a Cultural conseguiu acompanhar as mudanças do Centro de Anápolis de perto.

Mais de duas décadas se passaram nesse intervalo – desde a movimentação intensa para as festas que aconteciam acima da quadra do Clube Recreativo Anapolino (CRA), onde depois passou a funcionar a Escola de Dança de Anápolis, até as recentes propostas de revitalização do bairro.

Adevenir Sezil, proprietário e cofundador do estabelecimento, define que conseguiu acompanhar bem as mudanças, destacando que “mudou bastante o tipo de comércio do Centro”.

Adevenir Sezil, proprietário e cofundador da Livraria Cultural.

Adevenir Sezil, proprietário e cofundador da Livraria Cultural. (Foto: Acervo pessoal)

Exemplifica que viu “o fechamento de lojas tradicionais e a chegada de shoppings populares, dessas lojas que vendem produtos chineses”.

O empresário recorda que tudo começou em agosto de 1999. “A gente morava em Goiânia e eu sempre tive vontade de ter o meu próprio negócio”, conta. Ele relembra da época da faculdade: “no final do curso fiz um TCC de uma livraria, de livros usados”.

“Meu cunhado já trabalhava no comércio e teve a oportunidade, e me convidou para mudar para Anápolis e abrir uma loja. Não pensei duas vezes”. Adevenir explica que viu no município a possibilidade de dar uma condição melhor para a família.

Além disso, tinha como expectativa “levar um pouco de cultura para a cidade”, que ele define que era “grande e bem receptiva”.

O foco, por muito tempo, foram unicamente os livros. Era a época em que poucas escolas adotavam apostilas, o que fazia com que o movimento na livraria fosse intenso, especialmente nos meses que antecediam a volta às aulas. Chegaram a empregar 15 pessoas ao mesmo tempo.

Livraria Cultural, no Centro de Anápolis. (Foto: Samuel Leão/Portal 6)

À medida que os colégios foram “desistindo” dos livros, sobravam os literários, mas a empresa também precisou recorrer a outros produtos.

Necessidade de se reinventar

Adevenir conta que a Cultural sempre pensou em oferecer aos clientes uma variedade de produtos. “Estamos sempre tentando algo novo para agregar”, afirma.

Destaca que funcionaram muito bem os mangás, os discos de vinil, CDs e HQs – até hoje presentes nas prateleiras.

Camisetas de bandas de rock fizeram sucesso, mas acabaram saindo do catálogo com o tempo. Uma das mais recentes apostas da livraria foi nas figuras de ação.

Principais desafios

Com tanto tempo de trajetória e bagagem acumulada no setor, o empresário avalia que um dos principais desafios “foi a época em que as escolas deixaram de usar livros didáticos. E agora, recente, foi a internet, porque realmente é muito difícil competir”.

Livraria Cultural aposta nos livros novos, usados e uma variedade de outros produtos.

Livraria Cultural aposta nos livros novos, usados e uma variedade de outros produtos. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Mesmo assim, a livraria continua insistindo no setor. “A gente vai tentando, mesmo com dificuldades, vai se adequando, sendo resiliente. Temos os livros usados, que às vezes conseguimos ter uma certa condição de competir”.

Ao mesmo tempo, Adevenir explica que “quando você consegue entender essa concorrência, ela é também algo que te ajuda”. Uma das saídas, diante do novo cenário, foi aderir aos marketplaces, como a Estante Virtual, o que possibilitou ampliar o público-alvo.

“Temos que entender o mercado e para onde ele leva a gente, porque senão ficamos pelo meio do caminho, como aconteceu com muitas livrarias aqui em Anápolis, que infelizmente acabaram fechando”.

Revitalização do Centro

Ao longo de 27 anos no mesmo endereço, Adevenir explica que conseguiu ver o Centro sendo abandonado, à medida que alguns lojistas migravam para outros bairros da cidade enquanto o Setor Central ficava “em segundo plano”.

Ele defende que a revitalização é interessante e essencial, mas falta que o Poder Público encabece a proposta e que os lojistas também integrem o projeto, seguindo o que já costuma ser comentado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA).

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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