Volkswagen abre negociação para fechar quatro fábricas e demitir até 100 mil funcionários

Plano apresentado ao conselho prevê redução da capacidade industrial e enfrenta forte resistência dos sindicatos alemães

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Volkswagen abre negociação para fechar quatro fábricas e demitir até 100 mil funcionários
(Foto: Divulgação/ Volkswagen)

A Volkswagen iniciou uma nova etapa do plano de reestruturação que pode resultar no fechamento de quatro fábricas na Alemanha e no corte de até 100 mil postos de trabalho em diferentes países.

As medidas foram discutidas na quinta-feira (09), durante uma reunião do conselho fiscal realizada na sede da montadora, em Wolfsburg. Ao mesmo tempo, funcionários promoveram protestos contra possíveis demissões e encerramentos de unidades.

As fábricas ameaçadas ficam em Zwickau, Emden, Hannover e Neckarsulm. Esta última pertence à Audi, uma das marcas controladas pelo Grupo Volkswagen. No entanto, os fechamentos ainda precisam passar por negociações internas e enfrentarão forte resistência sindical.

Plano prevê redução de custos

Em comunicado, a Volkswagen informou que a diretoria apresentou ao conselho um pacote com 12 iniciativas voltadas à reestruturação do grupo até 2030.

Entre as medidas estão a redução da quantidade de modelos e versões, a simplificação da estrutura administrativa e a adequação da capacidade das fábricas à demanda do mercado.

A empresa não confirmou oficialmente quais unidades serão fechadas nem o número de funcionários que poderão ser atingidos. As estimativas de até 100 mil cortes foram divulgadas pela imprensa internacional e também mencionadas pelo sindicato IG Metall.

O presidente-executivo do grupo, Oliver Blume, afirma que as mudanças são necessárias para tornar a companhia mais eficiente e competitiva diante do avanço das montadoras chinesas, do aumento das tarifas e da transformação do mercado de veículos elétricos.

Queda nas vendas pressiona montadora

A Volkswagen registrou queda de 8,6% nas vendas globais durante o segundo trimestre de 2026, com pouco menos de 2,1 milhões de veículos entregues.

A retração foi mais intensa na China, onde as vendas caíram mais de um terço. A marca Volkswagen teve redução de 14% nas entregas, enquanto Audi e Porsche registraram quedas de 8% e 18%, respectivamente.

O cenário aumentou a pressão de investidores por cortes de custos, redução da capacidade ociosa e simplificação das operações do grupo.

Sindicatos prometem resistência

O anúncio das discussões provocou manifestações em diferentes unidades da Volkswagen na Alemanha. O IG Metall organizou atos em fábricas das marcas Volkswagen, Audi, Porsche, MAN e da empresa de softwares Cariad.

Segundo o sindicato, trabalhadores temem que os cortes atinjam até 100 mil dos aproximadamente 657 mil empregos mantidos pelo grupo em todo o mundo.

A entidade afirma que pretende resistir aos fechamentos e cobrar o cumprimento dos compromissos firmados anteriormente para preservar fábricas e postos de trabalho.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias