A psicologia afirma que crianças que eram levadas para subir em árvores por diversão desenvolveram uma habilidade fundamental
Brincadeiras com desafios controlados podem ajudar os pequenos a avaliar riscos, reconhecer limites e lidar melhor com o medo

Subir em árvores, correr em alta velocidade e explorar lugares desconhecidos fizeram parte da infância de muitas pessoas. Embora provoquem preocupação nos adultos, essas brincadeiras podem contribuir para que as crianças aprendam uma habilidade importante: avaliar riscos.
A conclusão não significa que toda criança que subiu em árvores necessariamente desenvolveu essa capacidade. Entretanto, pesquisadores defendem que atividades com algum grau de incerteza permitem testar limites físicos, tomar decisões e enfrentar sensações como medo e excitação.
A prática faz parte do que especialistas chamam de “brincadeira de risco”. O conceito reúne atividades emocionantes e desafiadoras nas quais existe a possibilidade de uma lesão, como escalar, saltar, equilibrar-se em lugares altos ou explorar espaços com maior autonomia.
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Como subir em árvores ajuda a avaliar riscos
Durante a escalada, a criança precisa observar onde colocará as mãos e os pés, verificar se um galho parece resistente e decidir até que altura consegue chegar.
Essas escolhas exigem equilíbrio, coordenação motora e avaliação constante da situação. Com isso, a criança pode aprender a diferenciar um desafio administrável de um perigo que ultrapassa as próprias habilidades.
Em artigo publicado em 2011 na revista científica Evolutionary Psychology, Ellen Beate Hansen Sandseter e Leif Edward Ottesen Kennair apresentaram a hipótese de que essas experiências produzem um efeito “antifóbico”.
Segundo os autores, a exposição gradual a situações emocionantes durante as brincadeiras pode ajudar crianças a conhecer as próprias reações e a lidar com medos comuns. A publicação, porém, é uma análise teórica, e não um experimento que acompanhou especificamente meninos que subiam em árvores.
Uma revisão sistemática posterior analisou 21 trabalhos sobre brincadeiras de risco ao ar livre. Os resultados apontaram relações positivas com atividade física, saúde social e determinados aspectos do desenvolvimento, embora a qualidade das evidências variasse entre os estudos.
Liberdade não significa ausência de segurança
Permitir experiências desafiadoras não significa deixar crianças diante de perigos graves ou sem qualquer cuidado. A brincadeira deve considerar idade, habilidades, ambiente e nível de confiança de cada uma.
A Sociedade Canadense de Pediatria diferencia risco de perigo. Um risco pode ser percebido e administrado pela criança, enquanto situações como trânsito intenso, águas turbulentas ou equipamentos inseguros representam ameaças que exigem intervenção adulta.
Os adultos devem acompanhar a atividade e estar preparados para agir, mas sem eliminar automaticamente todo desafio. Também não se deve pressionar a criança a fazer algo que provoque medo excessivo ou ultrapasse seus limites.
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