Governo passa a exigir taxa extra de bares, restaurantes e supermercados por cada garrafa, lata ou embalagem vendida

Experiência europeia reacende discussão nacional sobre mecanismos capazes de ampliar índices de reaproveitamento

Magno Oliver Magno Oliver -
Governo / Taxa extra / Embalagens / Espanha / Bares / Restaurantes
(Imagem: Ilustração/IA)

A Espanha prepara uma mudança no comércio de bebidas, com cobrança de um depósito reembolsável sobre determinadas embalagens vendidas ao consumidor.

A medida integra o Sistema de Depósito, Devolução e Retorno, previsto pela legislação espanhola para melhorar a coleta de materiais descartáveis.

Pela regra, garrafas plásticas, latas e recipientes cartonados de bebidas, com até três litros, entram no mecanismo obrigatório.

O consumidor paga pelo menos dez centavos de euro adicionais por unidade e recupera esse valor quando devolve o recipiente.

A devolução poderá ocorrer em estabelecimentos comerciais, incluindo supermercados, por meio de máquinas ou outros sistemas autorizados para recebimento.

A cobrança não representa um imposto permanente, porque o valor retorna ao comprador após a entrega correta do material.

Por que a Espanha adotará o sistema

A decisão ocorre após o país registrar apenas 41,3% de coleta separada de garrafas plásticas descartáveis em 2023.

O índice ficou abaixo da meta europeia de 70% para aquele período, acionando a obrigação prevista no Real Decreto 1055/2022.

A legislação determina depósito mínimo de dez centavos por embalagem e prevê participação dos comerciantes dentro do sistema.

Brasil já possui mecanismos semelhantes

No Brasil, a logística reversa de embalagens segue regras próprias, sem uma cobrança nacional obrigatória equivalente para bebidas.

Uma consulta pública federal chegou a prever mecanismos de depósito com ressarcimento após a devolução de embalagens plásticas.

Além disso, propostas legislativas sobre depósito e retorno de recipientes já tramitaram no Congresso Nacional em diferentes momentos.

Em 2026, uma ideia legislativa no Senado também propôs um sistema nacional para embalagens PET e alumínio, ainda sem força de lei.

Assim, a experiência espanhola pode alimentar o debate brasileiro sobre incentivos financeiros para aumentar a devolução de materiais.

Para o consumidor, a lógica é simples: pagar inicialmente, devolver depois e receber novamente o valor correspondente à embalagem.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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