Mulher que disse para delegado assumidamente homossexual ‘virar homem’ é presa em flagrante

Enquadrada pelo crime de racismo, ela poderá receber uma pena de até cinco anos

Gabriella Licia -
Delegado e esposo contador, casados há 10 anos. (Foto: Reprodução)

O delegado da Polícia Civil de Feijó (AC), Railson Ferreira, foi vítima de homofobia durante um mandado de prisão na última quarta-feira (29) e precisou deter a agressora que gritava incessantemente para que ele ‘virasse homem’.

Casado há 10 anos com o contador William Barbosa Bezerra, a autoridade confessou nunca ter vivenciado um ataque contra a orientação sexual.

A mulher foi presa em flagrante e autuada pelo crime de racismo – desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ataques homofóbicos podem ser enquadrados em racismo – e poderá receber uma pena de até cinco anos.

Segundo o delegado, tudo aconteceu após os agentes da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) receberem um mandado de prisão contra dois envolvidos em um crime cometido em janeiro deste ano.

Na casa dos suspeitos, as autoridades foram recepcionadas por duas mulheres bastante histéricas, que os xingaram e promoveram diversas ofensas.

“Fomos recebidos pela cunhada do rapaz com palavrões, a família é bem problemática. Já cumprimos outros mandados na casa, sempre nos xingando, mas a gente relevava”, relembrou Railson ao G1.

As agressões verbais por parte das mulheres continuaram e uma delas, cunhada de um dos suspeitos, ainda decidiu urinar no quintal da casa, na frente dos policiais.

Os agentes decidiram ignorar o fato e levar, além dos homens, a moça também para a delegacia, enquanto a cunhada alterada cuidaria das crianças.

“Falei que ela estava presa, mas não algemei, não gosto de algemar mulher. Elas continuaram a falar palavrões, a gente gravou tudo. Quando estava indo embora, pedi para trocar de roupa. A ideia era só levar a mulher dele, ouvir por desacato e liberar”, disse Railson.

Crime de homofobia

O caso pôde piorar quando as autoridades chegaram na delegacia. Lá, já estava a cunhada, ainda mais estressada, gritando diversos palavrões. Inclusive, em determinado momento, a mulher mordeu um dos agentes.

“Falei para trancarem a porta e deixar elas fora. Ela falou: ‘tu deveria virar homem, seu gay safado’. Como a injúria racial é inafiançável, assim como o racismo, não arbitrei fiança, mandei para audiência de custódia e a Justiça a deixou presa”, lembrou.

“Sou casado há dez anos com o William. Nunca tinha passado por isso, sempre me impus, sempre respeitei e me dei ao respeito. Emocionalmente não me abala, mas não poderia deixar passar por tudo aquilo que acredito”, desabafou.

“Sou muito crítico em relação ao preconceito”, finalizou o delegado.

Delegado Railson Ferreira atua na delegacia de Feijó, interior do Acre. (Foto: Reprodução)

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