Cabelo branco não é por estresse e estudo faz descoberta incrível para quem tem madeixas assim

Um estudo recente revela que fios grisalhos podem indicar um mecanismo de defesa natural do corpo

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Cabelo branco não é por estresse e estudo faz descoberta incrível para quem tem madeixas assim
(Foto: Pexels)

Durante muito tempo, o surgimento de cabelos brancos foi atribuído ao envelhecimento ou ao estresse.

Mas um novo estudo da University of Tokyo, publicado em 2025 na revista Nature Cell Biology, sugere algo inesperado: o embranquecimento dos fios pode ser sinal de um “sistema de segurança” do organismo contra mudanças genéticas perigosas.

A pesquisa focou nas chamadas células-tronco de melanócitos (McSCs) — responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo e à pele. Elas vivem nos folículos capilares e se renovam periodicamente para manter a coloração.

Mas, quando o DNA dessas células sofre danos graves — como quebras de fita dupla — o corpo pode interromper a regeneração dessas células e eliminá-las. Em consequência, novos fios não recebem melanina e o cabelo fica branco.

Segundo os pesquisadores, esse processo, chamado de “seno-diferenciação”, é acionado por uma via molecular conhecida como p53–p21 — um caminho de defesa celular que impede que células com DNA comprometido continuem a se multiplicar. O resultado visível desse mecanismo: cabelos grisalhos.

O outro lado da moeda: quando a defesa falha

Mas o mecanismo não é infalível — e o estudo alerta que cabelos brancos não significam imunidade irrestrita contra câncer.

Em experimentos com camundongos, quando os folículos foram expostos a certos carcinógenos — como radiação ultravioleta B ou substâncias químicas — as células-tronco danificadas ignoraram o alerta de segurança.

Em vez de serem eliminadas, mantiveram-se ativas e continuaram a se multiplicar. Esse comportamento aumentou o risco de formação de tumores de pele, como o melanoma.

Ou seja: cabelos brancos e câncer de pele — especialmente melanoma — podem ser dois caminhos divergentes dados pela mesma população de células, dependendo da natureza e intensidade do estresse genético a que estão submetidas.

Por que essa descoberta muda nossa visão sobre envelhecer

Essa pesquisa da University of Tokyo oferece uma nova perspectiva sobre o que significa “ficar grisalho”. Em vez de enxergar só o reflexo do tempo ou do estresse, agora há indícios de que o corpo pode estar reagindo a danos internos — fazendo uma espécie de “triagem celular” para evitar mutações perigosas.

Mas os cientistas fazem um aviso importante: o estudo foi realizado em ratos. Ainda não há confirmação de que o mesmo mecanismo ocorra da mesma forma em humanos. Segundo análises críticas de especialistas ouvidos por veículos de fact-check, interpretar cabelos brancos como um “escudo contra o câncer” é um exagero.

Ainda assim, a investigação muda o jogo: coloca o encanecimento capilar como um possível marcador biológico, abrir portas para estudos sobre envelhecimento, regeneração celular e prevenção de doenças — sem deixar de lado os cuidados com exposição ao sol, pele e câncer de pele.

Fios brancos: não mais sinônimo apenas de idade, mas um traço de uma batalha invisível, travada nas raízes do cabelo, onde cada mecha pode carregar uma história de defesa silenciosa do corpo.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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