Especialista em psicologia aponta que a melhor maneira de lidar com uma pessoa manipuladora é mudar a situação de poder a seu favor

Uma mudança silenciosa pode desmontar estratégias que parecem impossíveis de enfrentar

Magno Oliver Magno Oliver -
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Uma pessoa que constantemente interrompe uma conversa pode querer ser incluída (Foto: Reprodução/ Freepik)

A manipulação psicológica raramente se apresenta de forma explícita como muitas pessoas acabam acreditando que acontece.

Na maioria das vezes, ela surge em comentários sutis, insinuações ou tentativas indiretas de gerar culpa, insegurança ou dúvida.

A Psicologia reforça que o objetivo central do manipulador não é vencer um argumento, mas controlar o estado emocional do outro para conduzir a interação.

De acordo com a pesquisadora comportamental e educadora de liderança Shadé Zahrai, que assessora grandes empresas globais, a pessoa que controla o tom emocional de uma conversa tende a controlar também sua direção.

Estudos em psicologia social indicam que a manipulação funciona quando provoca reatividade: ansiedade, defesa excessiva ou necessidade de aprovação. É nesse momento que o equilíbrio de poder se desloca.

A estratégia mais eficaz, porém, não envolve confronto direto. Reagir com acusações, justificativas longas ou tentativas de se explicar costuma alimentar ainda mais o comportamento manipulador.

Em vez disso, Zahrai defende o controle consciente das próprias emoções como primeiro passo. Manter a calma preserva o raciocínio, reduz impulsos defensivos e impede que a outra parte explore fragilidades emocionais.

O segundo elemento é a aparência de imperturbabilidade. Linguagem corporal relaxada, tom de voz estável e respostas breves transmitem segurança e dificultam a escalada emocional.

Pesquisas sobre dinâmicas de poder mostram que quem reage menos tende a ser percebido como mais dominante, mesmo sem dizer muito. A ausência de reação enfraquece a tentativa de controle.

Por fim, o ponto decisivo está em desativar o engajamento emocional. Isso significa abandonar a necessidade de convencer, justificar ou ser compreendido. Ao focar apenas em fatos, limites e ações objetivas, a pessoa deixa de oferecer o “combustível” que sustenta a manipulação.

Com o tempo, essa postura neutra e consistente desloca a relação de poder, tornando a manipulação ineficaz e, muitas vezes, fazendo com que ela simplesmente cesse.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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