Para salvar as Ilhas Galápagos, cientistas eliminaram 150 mil cabras em uma das operações ambientais mais extremas da história

A decisão radical dividiu o mundo científico, fez florestas renascerem, trouxe tartarugas gigantes de volta e criou dilemas éticos que ainda ecoam décadas depois

Magno Oliver Magno Oliver -
Para salvar as Ilhas Galápagos, cientistas eliminaram 150 mil cabras em uma das operações ambientais mais extremas da história
(Foto: Captura de Tela/YouTube)

Por décadas, o arquipélago de Galápagos enfrentou uma ameaça silenciosa que não vinha do turismo nem da poluição.

O problema estava em um animal aparentemente inofensivo, introduzido pelo ser humano sem qualquer controle.

As cabras, levadas às ilhas no século passado como fonte de alimento, se multiplicaram rapidamente. Sem predadores naturais, passaram a devastar a vegetação nativa em um ritmo alarmante.

Com o tempo, o impacto se tornou irreversível.

Encostas ficaram nuas, o solo se deteriorou e espécies endêmicas chegaram perto do colapso ecológico.

De três animais a uma crise ambiental sem precedentes

Tudo começou em 1959, quando pescadores deixaram apenas três cabras na ilha de Pinta. A ideia parecia prática, mas o efeito foi devastador.

Em poucas décadas, a população explodiu para dezenas de milhares de animais, espalhando-se por ilhas inteiras.

A vegetação, que evoluiu sem grandes herbívoros, simplesmente não resistiu.

Plantas raras desapareceram. Fontes de alimento das tartarugas gigantes secaram. O equilíbrio ecológico entrou em colapso.

A decisão extrema: erradicar para salvar

Diante do risco real de extinção de espécies únicas do planeta, cientistas tomaram uma decisão sem precedentes.

Não bastava controlar a população. Era preciso eliminar completamente as cabras invasoras.

Assim nasceu o Projeto Isabela, uma das maiores operações de erradicação de espécies invasoras já realizadas no mundo.

O plano envolveu helicópteros, caçadores treinados, tecnologia de rastreamento por rádio e uma estratégia controversa conhecida como “cabras Judas”.

Esses animais eram capturados, esterilizados e soltos novamente para localizar os últimos grupos sobreviventes.

Florestas renascem e tartarugas voltam a ocupar seu espaço

A operação terminou oficialmente em 2006. O impacto real, porém, só apareceu anos depois.

Áreas antes descritas como paisagens áridas começaram a ficar verdes novamente. Plantas nativas reapareceram. O solo se recuperou.

Mais impressionante ainda foi o retorno das tartarugas gigantes, consideradas as verdadeiras engenheiras do ecossistema local.

Com mais alimento e espaço, elas voltaram a moldar a paisagem das ilhas.

Apesar do sucesso ambiental, a operação levantou questões profundas.
Especialistas passaram a debater o custo ético de eliminar 150 mil animais para salvar um ecossistema.

Além disso, novos desafios surgiram.

Sem as cabras, outras espécies invasoras ganharam espaço, exigindo novas intervenções.

O caso de Galápagos se tornou referência mundial em conservação.

Ao mesmo tempo, virou um dos exemplos mais complexos sobre como decisões ambientais nunca são simples.

Siga o Portal 6 no Google News fique por dentro de tudo!

Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias