Antes de nascer a geladeira, era assim que o leite era conservado

Antigamente, habitantes da Rússia e Finlândia usavam sapos vivos para manter o leite fresco. Entenda a ciência por trás desse método bizarro

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Antes de nascer a geladeira, era assim que o leite era conservado
(Imagem: Ilustração/IA)

Conservar alimentos frescos nem sempre foi tão simples quanto abrir uma porta de metal gelada e organizada. Antes da invenção da geladeira, povos da Rússia e da Finlândia recorriam a um método que hoje pareceria impensável.

Eles colocavam sapos vivos dentro dos recipientes de leite para impedir que o líquido azedasse precocemente. Essa prática era comum em regiões rurais, onde o acesso a técnicas de resfriamento era praticamente inexistente.

Embora a ideia pareça uma lenda urbana ou pura superstição, ela possui uma explicação científica fascinante. Pesquisadores modernos decidiram investigar o hábito e descobriram segredos escondidos na pele desses anfíbios.

A técnica revela como o conhecimento ancestral conseguia identificar soluções biológicas para problemas do cotidiano. O que parecia um hábito bizarro era, na verdade, uma forma primitiva e eficiente de biotecnologia.

A “geladeira viva” e os antibióticos naturais

Pesquisas revelaram que a pele de certas espécies de sapos secreta peptídeos antibióticos naturais poderosos. Essas substâncias são liberadas para proteger o animal em ambientes úmidos e repletos de micro-organismos.

Esses compostos agem diretamente contra o crescimento de fungos e bactérias responsáveis pelo processo de fermentação. Cientistas identificaram que a espécie Rana temporaria, encontrada na Eurásia, era a mais utilizada para este fim.

Estudos conduzidos pela Universidade de Moscou identificaram quase cem substâncias protetoras na pele desses anfíbios. Algumas delas mostraram-se eficazes até mesmo contra patógenos perigosos, como a Salmonella e o Staphylococcus.

Dessa forma, as secreções se misturavam ao líquido e criavam uma barreira química contra a deterioração. O método garantia que o leite permanecesse próprio para o consumo por muito mais tempo do que o normal.

Do conhecimento ancestral à tecnologia moderna

Somente na década de 1940 as geladeiras domésticas começaram a se popularizar e substituir esses costumes arcaicos. O frio das máquinas desacelera a multiplicação bacteriana sem a necessidade de intervenções biológicas externas.

Apesar da eficácia histórica, o uso de sapos para conservar alimentos é totalmente desaconselhado nos dias de hoje. Muitas espécies podem conter toxinas perigosas para o ser humano ou transmitir doenças zoonóticas graves.

Atualmente, a ciência utiliza esses conhecimentos antigos como base para o desenvolvimento de novos fármacos. O desafio agora é sintetizar esses compostos em laboratório para uso na indústria farmacêutica global.

A conservação moderna hoje se baseia em processos seguros como a pasteurização e o resfriamento controlado. No entanto, a história dos sapos no leite permanece como um exemplo incrível da engenhosidade humana antes da tecnologia.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiário do Portal 6.

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