Ataques a barcos levam cientistas a descobrir linguagem inédita de orcas

Ao todo, foram identificados quatro tipos distintos de vocalizações, que não se assemelham a nenhum padrão já documentado anteriormente para a espécie

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Ataques a barcos levam cientistas a descobrir linguagem inédita de orcas
(Foto: Ilustração/Pexels/Ronile)

Desde 2020, um grupo específico de orcas vem transformando a navegação na costa da Espanha em um território de tensão. Embarcações danificadas, colisões repetidas e um comportamento considerado incomum colocaram esses animais no centro da atenção científica.

Agora, uma nova descoberta amplia ainda mais o mistério: essas orcas desenvolveram uma forma própria de comunicação, descrita como uma linguagem inédita.

No centro do grupo está uma fêmea conhecida pelos pesquisadores como Gladis Branca, apontada como líder. Ela e suas companheiras — apelidadas de “alunas gladiadoras” — foram observadas atacando barcos no Estreito de Gibraltar, uma das rotas marítimas mais movimentadas da região. Durante essas interações, cientistas conseguiram registrar algo nunca ouvido antes.

As gravações, feitas enquanto pesquisadores navegavam pelas águas espanholas, revelaram um conjunto exclusivo de sons trocados entre Gladis Branca e outras orcas do grupo.

Ao todo, foram identificados quatro tipos distintos de vocalizações, que não se assemelham a nenhum padrão já documentado anteriormente para a espécie.

Segundo Renaud de Stephanis, presidente do Centro de Conservação, Informação e Pesquisa sobre Cetáceos (Circe), a descoberta desafia décadas de observação.

Ele explica que essas orcas vêm sendo estudadas há cerca de 30 anos e sempre foram consideradas relativamente silenciosas. O que surgiu agora, porém, é algo completamente fora do esperado.

De acordo com o pesquisador, variações sonoras entre orcas costumam ser tratadas como “sotaques”, pequenas diferenças dentro de um mesmo padrão de comunicação. Neste caso, no entanto, os sons registrados indicam algo mais profundo.

Para De Stephanis, o achado equivale, em termos culturais, a descobrir uma nova língua humana surgindo repentinamente em uma região já amplamente estudada.

As gravações envolveram cerca de 40 orcas diferentes, todas vivendo no Estreito de Gibraltar e na costa atlântica da Península Ibérica. Pelo menos 15 delas são suspeitas de participação direta em incidentes de colisão com embarcações ao longo dos últimos quatro anos. Os episódios ocorreram tanto em águas espanholas quanto portuguesas.

Embora ainda não haja consenso sobre o motivo dos ataques aos barcos, a descoberta da linguagem própria reforça a complexidade social do grupo.

Para os cientistas, entender como essas orcas se comunicam pode ser uma peça-chave para explicar o comportamento que vem intrigando autoridades marítimas e pesquisadores — e que transformou esse grupo em um dos mais estudados do mundo nos últimos anos.

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Isabella Valverde

Isabella Valverde

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com passagens por veículos como a TV Anhanguera, afiliada da TV Globo no estado. É editora do Portal 6 e especialista em SEO e mídias sociais, atuando na integração entre jornalismo de qualidade e estratégias digitais para ampliar o alcance e o engajamento das notícias.

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