Homem rejeita fortuna bilionária, compra ilha deserta e a transforma com 16 mil árvores

Durante seis décadas, um britânico trocou propostas milionárias por um legado ambiental que hoje inspira o mundo

Magno Oliver Magno Oliver -
Homem rejeita fortuna bilionária, compra ilha deserta e a transforma com 16 mil árvores
(Foto: Reprodução)

Enquanto o mercado imobiliário internacional disputava cada metro de terra em ilhas paradisíacas, um homem fez o caminho oposto. Brendon Grimshaw escolheu dizer “não” ao dinheiro para dizer “sim” à natureza. O resultado foi a transformação completa de uma ilha abandonada em um dos projetos de conservação ambiental mais emblemáticos do planeta.

A história começou em 1962, quando Grimshaw adquiriu a pequena Île Moyenne, nas Ilhas Seicheles. À época, o local era marcado por solos empobrecidos, vegetação escassa e praticamente nenhuma vida animal.

O cenário contrastava com outras ilhas da região, já valorizadas comercialmente e exploradas pelo turismo. Ainda assim, ele enxergou ali não um investimento financeiro, mas um desafio ambiental.

Sem grandes recursos e com ajuda constante apenas do amigo René Antoine Lafortune, Grimshaw passou a dedicar sua vida à recuperação do território. O trabalho era manual, paciente e solitário. Trilhas foram abertas, áreas degradadas mapeadas e um plano ecológico começou a ser colocado em prática árvore por árvore.

Ao longo dos anos, mais de 16 mil mudas foram plantadas de forma estratégica. O reflorestamento não seguiu o acaso: espécies foram escolhidas para cumprir funções específicas no equilíbrio ambiental, criando sombra, protegendo o solo e favorecendo o retorno da umidade natural. Com o tempo, a floresta voltou a se fechar, e a ilha começou a respirar novamente.

A regeneração vegetal abriu caminho para algo ainda maior. Animais passaram a retornar de forma espontânea, atraídos pelo novo habitat.

Tartarugas-gigantes das Seicheles, ameaçadas de extinção, encontraram ali um refúgio seguro. Aves e insetos reconstruíram cadeias alimentares completas, transformando a ilha em um ecossistema funcional, livre de cercas ou interferência humana direta.

À medida que a Île Moyenne se tornava conhecida internacionalmente, surgiram propostas tentadoras. Investidores ofereceram valores capazes de torná-lo bilionário, interessados em resorts de luxo e empreendimentos turísticos. Grimshaw recusou todas. Para ele, vender significaria apagar décadas de trabalho e condenar espécies que haviam reencontrado ali sua chance de sobrevivência.

Brendon Grimshaw viveu na ilha até sua morte, em 2012, após cerca de 60 anos dedicados integralmente à preservação do local.

Pouco depois, o governo das Seicheles incorporou oficialmente a Île Moyenne ao Parque Nacional Marinho, garantindo proteção legal permanente ao território.

Hoje, a ilha permanece como prova de que a conservação ambiental não depende apenas de grandes organizações ou políticas globais. Às vezes, começa com uma decisão individual, mantida com persistência, que escolhe o futuro do planeta em vez de uma fortuna imediata.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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