“Crueldade não nasce do nada”, diz Andrea Vermont sobre adolescentes acusados de matar cão violentamente em SC
Psicanalista também evocou responsabilidade dos adultos e lembrou que comportamentos desse tipo evoluem para psicopatia

O caso envolvendo adolescentes que teriam matado um cachorro comunitário, chamado Orelha, de forma brutal em Santa Catarina gerou uma onda de choque e indignação nas redes sociais. Para além da revolta popular, o caso acendeu um alerta vermelho sobre a saúde mental e a formação desses jovens.
Em análise sobre o episódio, a psicanalista Andrea Vermont foi enfática: “A crueldade não nasce do nada”. Segundo a especialista, atos de violência extrema contra seres indefesos na juventude não podem ser encarados como uma “rebeldia passageira” ou um fato isolado.
“A criança e o adolescente não se tornam cruéis por geração espontânea. Existe um vácuo de cuidado, de exemplo ou até mesmo uma exposição precoce à violência que molda esse caráter”, pontuou. Ela evocou a responsabilidade direta dos adultos na supervisão e na educação emocional dos jovens.
Vermont destaca que esse tipo de comportamento é um sintoma grave de uma estrutura psíquica que carece de empatia e limites.
Segundo ela, isso poderia representar até indícios de um transtorno de personalidade antissocial, conhecida popularmente como psicopatia, condição psiquiátrica que afeta a capacidade de respeitar direitos básicos de terceiros e normas sociais.
“Só a hipótese de adolescentes espancarem um cão até a morte já deveria nos deixar alarmados. Porque quando um animal indefeso morre por violência humana, o que está em jogo não é apenas um crime, é um sinal social gravíssimo”, ressaltou.
Ela ainda diz que não se trata de uma brincadeira, é uma forma de violência fria, direcionada a quem não pode se defender, a quem não reage e nem pode denunciar.
Indícios
Estudos da psicologia e criminologia indicam que a zoosadismo (crueldade contra animais) é um dos pilares da chamada “Tríade de Macdonald”, um conjunto de comportamentos que frequentemente precede o desenvolvimento de transtornos de personalidade antissocial na vida adulta.
De acordo com Vermont, se não houver uma intervenção severa e um acompanhamento psicológico profundo, a tendência é que a violência escalone para alvos humanos. “O que começa com um animal pode, muito em breve, se tornar uma tragédia contra outra pessoa. O limite já foi rompido”, concluiu.
O caso segue sob investigação das autoridades catarinenses, e a identidade dos adolescentes tem sido preservada conforme manda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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