“Crueldade não nasce do nada”, diz Andrea Vermont sobre adolescentes acusados de matar cão violentamente em SC

Psicanalista também evocou responsabilidade dos adultos e lembrou que comportamentos desse tipo evoluem para psicopatia

Samuel Leão Samuel Leão -
Psicanalista falou sobre o caso do cão comunitário Orelha. (Foto: @Andreavermount) psicopatia Vermont
Psicanalista falou sobre o caso do cão comunitário Orelha. (Foto: @Andreavermount)

O caso envolvendo adolescentes que teriam matado um cachorro comunitário, chamado Orelha, de forma brutal em Santa Catarina gerou uma onda de choque e indignação nas redes sociais. Para além da revolta popular, o caso acendeu um alerta vermelho sobre a saúde mental e a formação desses jovens.

Em análise sobre o episódio, a psicanalista Andrea Vermont foi enfática: “A crueldade não nasce do nada”. Segundo a especialista, atos de violência extrema contra seres indefesos na juventude não podem ser encarados como uma “rebeldia passageira” ou um fato isolado.

“A criança e o adolescente não se tornam cruéis por geração espontânea. Existe um vácuo de cuidado, de exemplo ou até mesmo uma exposição precoce à violência que molda esse caráter”, pontuou. Ela evocou a responsabilidade direta dos adultos na supervisão e na educação emocional dos jovens.

Vermont destaca que esse tipo de comportamento é um sintoma grave de uma estrutura psíquica que carece de empatia e limites.

Segundo ela, isso poderia representar até indícios de um transtorno de personalidade antissocial, conhecida popularmente como psicopatia, condição psiquiátrica que afeta a capacidade de respeitar direitos básicos de terceiros e normas sociais.

“Só a hipótese de adolescentes espancarem um cão até a morte já deveria nos deixar alarmados. Porque quando um animal indefeso morre por violência humana, o que está em jogo não é apenas um crime, é um sinal social gravíssimo”, ressaltou.

Ela ainda diz que não se trata de uma brincadeira, é uma forma de violência fria, direcionada a quem não pode se defender, a quem não reage e nem pode denunciar.

Indícios

Estudos da psicologia e criminologia indicam que a zoosadismo (crueldade contra animais) é um dos pilares da chamada “Tríade de Macdonald”, um conjunto de comportamentos que frequentemente precede o desenvolvimento de transtornos de personalidade antissocial na vida adulta.

De acordo com Vermont, se não houver uma intervenção severa e um acompanhamento psicológico profundo, a tendência é que a violência escalone para alvos humanos. “O que começa com um animal pode, muito em breve, se tornar uma tragédia contra outra pessoa. O limite já foi rompido”, concluiu.

O caso segue sob investigação das autoridades catarinenses, e a identidade dos adolescentes tem sido preservada conforme manda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

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Samuel Leão

Samuel Leão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, com passagens por veículos como Tribuna do Planalto e Diário do Estado. É mestrando em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás. Passou pela coluna Rápidas. Atualmente, é repórter especial do Portal 6.

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