Não é gases, nem gastrite: o que causa estômago alto e como se livrar desse problema
Mesmo em pessoas magras, a saliência na parte superior do abdômen pode ter origem estrutural, muscular ou metabólica, e exige avaliação correta para tratamento eficaz

Quem convive com a sensação de barriga alta costuma ouvir explicações simplistas, como gases ou má digestão. No entanto, em muitos casos, o chamado estômago alto não tem relação direta com o sistema digestivo.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Vitor Nunes, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o problema surge a partir de alterações estruturais ou de acúmulos específicos na região abdominal, inclusive em pessoas magras.
Por isso, entender a causa se torna fundamental. Só assim é possível definir o tratamento mais adequado e evitar frustrações com dietas ou exercícios que não resolvem o problema.
O que é estômago alto
O estômago alto se caracteriza por uma projeção localizada na parte superior do abdômen, acima do umbigo.
Diferente de um inchaço temporário, essa saliência tende a ser persistente e não desaparece facilmente com mudanças alimentares ou perda de peso geral.
Em muitos casos, a pessoa emagrece de forma significativa, mas a região continua elevada. Isso costuma gerar dúvidas e a impressão de que algo não está funcionando no processo de emagrecimento.
Principais causas do estômago alto
O estômago alto pode ter origens diferentes. Por isso, a avaliação médica se mostra indispensável para identificar o fator predominante.
Entre as causas mais comuns estão:
1- Acúmulo de gordura localizada
`Essa é a causa mais frequente. A gordura se concentra na parte superior do abdômen e cria o efeito visual de barriga alta. Mesmo com peso dentro do normal, esse acúmulo pode persistir.
2- Gordura visceral
Diferente da gordura subcutânea, a gordura visceral se acumula ao redor dos órgãos internos. Além de aumentar o volume abdominal, ela se associa a riscos metabólicos, como inflamação e resistência à insulina.
3- Frouxidão da parede muscular
Quando os músculos abdominais perdem tonicidade, o abdômen perde sustentação. Isso ocorre com o envelhecimento, sedentarismo ou após grandes variações de peso.
4- Diástase abdominal
A diástase corresponde ao afastamento dos músculos reto abdominais na linha média. Ela aparece com frequência após gestações, principalmente múltiplas, ou grandes oscilações de peso. Nesse cenário, o abdômen projeta para frente, mesmo sem excesso de gordura.
5- Hérnia abdominal
Em alguns casos, a saliência indica a presença de uma hérnia. Por isso, o diagnóstico correto precisa anteceder qualquer tentativa de tratamento estético ou funcional.
Como identificar a causa do estômago alto
Não é possível determinar a origem do estômago alto apenas pela aparência. De acordo com o Dr. Vitor Nunes, a avaliação médica inclui exames que ajudam a diferenciar gordura, alterações musculares e outras condições.
Entre os principais métodos estão o exame físico detalhado, a ultrassonografia abdominal, a tomografia da região e a bioimpedância corporal.
A bioimpedância, em especial, permite analisar a composição corporal e identificar a proporção entre gordura, músculo e retenção.
Com esses dados, o profissional consegue direcionar o tratamento de forma mais precisa.
Como reduzir o estômago alto sem cirurgia
Em quadros leves, mudanças na rotina já trazem bons resultados. Isso vale principalmente quando a causa envolve gordura visceral, gordura localizada ou pequena diástase.
Práticas como exercícios hipopressivos e LPF (Low Pressure Fitness) ajudam a ativar a musculatura profunda do abdômen. Essas técnicas melhoram o tônus muscular e contribuem para uma melhor sustentação da região.
A combinação de treinos de força com exercícios aeróbicos favorece a redução da gordura corporal como um todo. Embora não exista perda localizada, o abdômen costuma responder ao processo de forma gradual.
Uma dieta com perfil anti-inflamatório auxilia na redução da gordura visceral. Além disso, melhora a saúde metabólica e contribui para a diminuição do volume abdominal ao longo do tempo.
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