Caso João Victor em Anápolis: funcionários da Equatorial mentiram e já estão arcando com as consequências

Relatório da Polícia Civil aponta tentativa de desviar a investigação após o menino de 10 anos morrer eletrocutado

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Caso João Victor em Anápolis: funcionários da Equatorial mentiram e já estão arcando com as consequências
João Victor Gontijo Oliveira tinha 10 anos e era aluno da rede municipal de Anápolis. (Foto: Reprodução)

Reportagem publicada pelo jornal O Popular revelou que dois funcionários da Equatorial Goiás foram indiciados por fraude processual no inquérito que apura a morte de João Victor Gontijo de Oliveira, de 10 anos, em Anápolis.

O caso ocorreu em setembro do ano passado, quando a criança morreu após sofrer um choque elétrico ao pisar em um cabo energizado caído na Vila Jussara.

De acordo com o relatório final da Polícia Civil (PC), os funcionários apresentaram à polícia um cabo de fibra óptica com identificação da Prefeitura de Anápolis, alegando falsamente que aquele teria causado o acidente.

A investigação concluiu que o material não possuía qualquer indício de dano elétrico, enquanto o cabo realmente envolvido apresentava sinais claros de queima, aquecimento extremo e carbonização.

A apuração aponta que a manobra teve como objetivo induzir peritos e autoridades ao erro, desviando a investigação e atribuindo, de forma indevida, a responsabilidade ao poder público municipal.

O documento foi assinado pela delegada Alin Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis.

O laudo pericial confirmou que João Victor morreu ao entrar em contato com um fio metálico de sustentação de um cabo de fibra óptica instalado de forma irregular na estrutura de uma luminária de LED, em desacordo com normas técnicas.

Testemunhas relataram ainda que intervenções no local foram feitas a mando de superiores da Equatorial antes da chegada da perícia, o que comprometeu a preservação da cena.

Apesar das conclusões, não foi possível individualizar um responsável direto para responder por homicídio culposo, já que a investigação apontou uma cadeia de falhas técnicas e omissões, incluindo a falta de fiscalização dos postes, atribuição legal da concessionária.

O relatório ressalta que a conduta da Equatorial contribuiu para a impossibilidade de identificar a empresa responsável pelo cabo.

Ao O Popular, a Equatorial Goiás afirmou que não teve conhecimento formal do indiciamento, alegando que o inquérito tramita sob segredo de justiça, e declarou que segue colaborando com as investigações.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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