Com PSD em campo e Tarcísio fora, Republicanos flerta com Flávio sem se soltar de Lula

Divisão passa por fatores regionais, como as alianças construídas neste mandato entre dirigentes da sigla com bolsonaristas e petistas

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Divisão passa por fatores regionais, como as alianças construídas neste mandato entre dirigentes da sigla com bolsonaristas e petistas
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas e o secretário GIlberto Kassab, presidente nacional do PSD. (Foto: Secom/GESP)

BRUNO RIBEIRO – Com Tarcísio de Freitas fora da disputa presidencial e o PSD, de Gilberto Kassab, articulando um candidato próprio, o Republicanos entra no ano eleitoral dividido entre se alinhar à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ou preservar a relação com o governo Lula, defendida por parte da cúpula da sigla.

Essa divisão passa por fatores regionais, como as alianças construídas neste mandato entre dirigentes da sigla com bolsonaristas e petistas, e pela incerteza interna sobre a conveniência de apoiar uma candidatura do PSD no plano nacional.

Em São Paulo, o partido vive um momento de expectativa de crescimento com Tarcísio. Deputados e vereadores da legenda o avaliam como favorito à reeleição e, assim, veem como mais seguro seguir o posicionamento já externado pelo governador de apoio a Flávio.

Na semana passada, Tarcísio fez um gesto importante ao Republicanos e aos demais partidos de centro-direita, ao nomear o presidente estadual da legenda, Roberto Carneiro, como secretário da Casa Civil.

Sob reserva, uma liderança do partido no estado afirmou à Folha que a perspectiva é que Carneiro alinhe toda a centro-direita paulista em torno do governador. O caminho natural, desse modo, é que os partidos sigam os planos traçados por Tarcísio para o plano nacional, ainda na visão desse aliado.

Sob reserva, há integrantes do partido que dizem considerar o cenário em aberto. Parlamentares da sigla em São Paulo afirmam que a candidatura de Flávio ainda é vista como incerta e mantêm o desejo de ver Tarcísio na disputa presidencial.

Contudo, o cálculo da sigla passa pelas articulações feitas em outros estados que atrelam o Republicanos ao governo Lula. O exemplo mais evidente é Pernambuco.

O estado é reduto eleitoral do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deve deixar o cargo nos próximos dias para disputar uma vaga no Senado. Lula mantém uma relação histórica com o grupo político do ministro.

“Vou trabalhar para que os partidos do centro possam ajudar no projeto de reeleição do presidente Lula”, disse o ministro, no fim de dezembro, em entrevista à CNN. Na ocasião, Costa Filho afirmou que procurou dirigentes de outras legendas para articular apoios ao petista.

O PSD e o Republicanos são siglas de perfis parecidos. Representam, respectivamente, a quarta e a quinta maiores bancadas da Câmara dos Deputados, com 47 e 44 assentos. Ambos indicaram ministros para o governo Lula e, ao mesmo tempo, controlam o governo paulista (com Kassab e Tarcísio).

A legenda nasceu em 2005 como Partido Municipalista Renovador (PMR), criada por lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus, e foi se tornando mais pragmática à medida que cresceu.

O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, prefere evitar sinalizar para algum dos cenários antes da construção de consensos. “Nada certo ainda. Teremos que conversar com o partido e ver o sentimento da maioria”, disse o deputado federal à Folha.

Pelo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o registro de candidaturas ocorre até 15 de agosto, o que permite ao partido postergar decisões até a reta final da pré-campanha.

Na última quarta-feira (28), em São Paulo, durante sua primeira entrevista como membro do PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado –um dos presidenciáveis da sigla, ao lado do gaúcho Eduardo Leite e do paranaense Ratinho Jr.–, disse que buscaria o apoio do Republicanos para construir uma opção ao eleitor de centro-direita que não fosse Flávio.

Na quinta-feira (29), ao sair da visita que fez a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, Tarcísio afirmou que o ex-presidente apoiou o movimento de Caiado e disse que todos estariam contra Lula em um eventual segundo turno.

Entretanto, entre integrantes do partido, a opção de apoiar o PSD é considerada a mais remota. Além das dúvidas quanto à possibilidade de uma candidatura da legenda chegar ao segundo turno, a relação entre Kassab e Marcos Pereira passou por atritos recentes.

Pereira esteve cotado, em 2024, para assumir a presidência da Câmara, concorrendo pela indicação do então presidente Arthur Lira (PP-AL), com apoio do presidente Lula e do PT. Kassab, por sua vez, defendia a indicação de Antonio Brito (PSD-BA) e não cedeu aos pedidos do republicano. Sem consenso, Lira terminou indicando Hugo Motta (Republicanos-PB), que venceu.

Após a derrota, Pereira deu uma entrevista à Folha culpando Kassab pelo desfecho. “Disse a ele [Kassab]: ‘se você me apoiar, vou ser eternamente grato e devedor a você. Se você não me apoiar, eu também vou lembrar, todas as vezes que olhar para você, que não fui presidente da Câmara por sua causa'”, afirmou.

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