Nova técnica livra as vacas de atrair moscas e as deixa menos agitadas
Pintura inspirada em zebras reduz moscas hematófagas em vacas e diminui agitação do rebanho, aponta estudo científico revisado por pares

Uma solução improvável chamou atenção da ciência e do campo. Pintar vacas com listras brancas semelhantes às de zebras reduziu significativamente a presença de moscas hematófagas e o estresse dos animais.
O resultado foi observado em um estudo revisado por pares, conduzido por pesquisadores japoneses. A estratégia se destacou por dispensar produtos químicos e apostar apenas em um estímulo visual.
Além do impacto no bem-estar animal, a técnica surge como alternativa de baixo custo para produtores que enfrentam prejuízos causados por insetos no rebanho.
O “efeito zebra” e o combate às moscas no gado
Na natureza, zebras atraem menos moscas que se alimentam de sangue, um fenômeno já documentado pela biologia. O padrão de listras em alto contraste parece dificultar o pouso dos insetos.
Na pecuária, moscas hematófagas não causam apenas incômodo. Elas provocam estresse, interrompem o pastejo, geram feridas e podem transmitir patógenos.
Por isso, reduzir a pressão desses insetos tem impacto direto no bem-estar e na produtividade. A adaptação do padrão visual para bovinos buscou justamente reproduzir esse efeito natural.
Como o experimento foi feito e o que mudou no rebanho
O estudo avaliou vacas da raça Japanese Black, comuns na produção de carne no Japão. Parte do rebanho recebeu listras brancas pintadas no pelo, enquanto outros grupos serviram como controle.
Um dos controles não recebeu pintura alguma. O outro foi pintado com um padrão sem listras, o que permitiu diferenciar o efeito do desenho do simples uso de tinta.
As vacas “zebradas” tiveram cerca de metade das moscas pousando sobre o corpo, além de menos movimentos defensivos, como sacudir a cabeça, bater a cauda e contrair a pele.
Alternativa aos inseticidas e limites da técnica
A redução da agitação indica menor gasto de energia e mais tempo de descanso e pastejo. Esses fatores estão diretamente ligados ao desempenho produtivo do rebanho.
O método não elimina o uso de inseticidas em todos os casos, mas pode funcionar como complemento no manejo. Isso é relevante diante de custos, reaplicações e resistência de pragas aos químicos.
Como a pintura se desgasta com o tempo, a técnica exige manutenção. Ainda assim, o estudo mostra que mudanças simples de percepção visual podem abrir novos caminhos no controle de pragas.
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