Viúva vive sozinha no campo, acorda às 4h30, aprende na raça a administrar sítio e sustenta área de um alqueire em Goiás
Após perder o marido, Luziélia assumiu sozinha a produção de leite no interior goiano e transformou a rotina dura no campo em exemplo de resistência e autonomia

Quando o dia ainda nem clareou em Goiás, Luziélia já está de pé. Às 4h30 da manhã, ela inicia uma rotina que se repete todos os dias e que, há alguns anos, parecia impossível de ser mantida sozinha.
Viúva, ela assumiu integralmente o cuidado de um sítio de um alqueire, onde produz leite e cria bezerros sem ajuda fixa.
A mudança veio após a morte do marido, quando a permanência no campo deixou de ser escolha e passou a ser necessidade. Sem experiência anterior na lida rural, Luziélia aprendeu observando, errando e insistindo.
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A ordenha, o trato com os animais e a administração da pequena propriedade foram sendo incorporados à rotina aos poucos, sempre na prática.
Do improviso à autonomia no trabalho rural
No início, o contato diário com o curral trouxe medo e insegurança. Os animais não estavam habituados à presença dela, e cada tarefa exigia esforço físico e adaptação.
Com o tempo, porém, a rotina ganhou ritmo e previsibilidade, permitindo que Luziélia mantivesse a produção ativa mesmo sem apoio técnico constante.
Hoje, o leite produzido no sítio garante parte da renda familiar, enquanto a criação de bezerros ajuda a equilibrar as contas em períodos mais difíceis.
Além disso, Luziélia complementa o orçamento com trabalhos eventuais fora da propriedade, conciliando tudo com os cuidados da casa e da família.
Solidão, preconceito e visibilidade nas redes
Viver sozinha no campo também trouxe isolamento. Segundo Luziélia, a ausência de um homem na propriedade gerou desconfiança e reduziu a disposição de vizinhos em oferecer ajuda. Ainda assim, ela decidiu permanecer no sítio e seguir em frente, mesmo assumindo tarefas tradicionalmente associadas aos homens.
Foi nas redes sociais que ela encontrou uma forma de se expressar e diminuir a solidão.
No perfil @luzielia_, ela passou a compartilhar a rotina simples do campo, mostrando desde a ordenha até momentos comuns do dia a dia rural. Os vídeos começaram a alcançar outras pessoas que se identificaram com a história.
A visibilidade trouxe novos horizontes e reforçou a percepção de que sua vivência representa a realidade de muitas mulheres da agricultura familiar. Sem romantizar a rotina dura, Luziélia transformou o próprio cotidiano em exemplo de resistência e adaptação.
Mesmo com desafios constantes, ela decidiu permanecer onde está. A escolha de seguir no campo, sustentando a família com o próprio trabalho, redefiniu sua história e deu novo significado à vida no interior goiano.
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