Escala 996: conheça a jornada defendida por empresas de tecnologia

Sistema de trabalho adotado por gigantes internacionais gera discussões trabalhistas

Magno Oliver Magno Oliver -
Escala 996: conheça a jornada defendida por empresas de tecnologia
(Foto: Captura de tela / Youtube)

A chamada escala 996 é um modelo de jornada de trabalho que prevê expediente das 9h às 21h, seis dias por semana, totalizando 72 horas semanais.

O formato ganhou notoriedade na China a partir da década de 2010, especialmente em empresas de tecnologia e startups de alto crescimento. Defensores afirmam que a prática estimula produtividade e acelera inovação.

Críticos, por outro lado, apontam riscos à saúde e possíveis violações trabalhistas. O termo passou a circular amplamente após declarações públicas de executivos do setor.

Em 2019, Jack Ma, fundador do Alibaba, afirmou que trabalhar no regime 996 seria uma “grande bênção” para jovens profissionais dispostos a crescer na carreira.

A fala gerou forte repercussão internacional e impulsionou debates sobre cultura corporativa no setor tecnológico.

No mesmo período, trabalhadores chineses organizaram movimentos online contra o modelo, denunciando exaustão e jornadas excessivas.

Do ponto de vista jurídico, a prática entrou em conflito com a legislação trabalhista chinesa. A Lei do Trabalho da China estabelece jornada padrão de oito horas diárias e 44 horas semanais, com limites para horas extras.

Em 2021, a Suprema Corte Popular da China e o Ministério de Recursos Humanos declararam ilegais alguns formatos de jornadas excessivas, incluindo modelos similares ao 996, reforçando que acordos empresariais não podem se sobrepor à lei.

Estudos internacionais também alimentaram o debate. Relatórios da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados em 2021, associam jornadas superiores a 55 horas semanais a maior risco de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).

Embora esses estudos não analisem especificamente a escala 996, eles apontam correlação entre excesso de horas trabalhadas e impactos negativos à saúde física e mental.

Ainda assim, parte do setor de tecnologia defende que períodos intensivos podem impulsionar resultados em ambientes altamente competitivos, sobretudo em fases iniciais de startups.

Especialistas em gestão argumentam que ciclos de alta dedicação podem acelerar inovação e entrega de produtos. No entanto, o consenso entre pesquisadores de relações trabalhistas é que produtividade sustentável depende de equilíbrio entre desempenho e bem-estar.

Em um cenário global cada vez mais atento à saúde ocupacional, a escala 996 permanece como símbolo de um modelo controverso que divide o mercado e desafia legislações.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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