Do silêncio da feira em Anápolis ao barulho da tragédia em Itumbiara: o que fazer com a dor?
Entre a perda serena de um homem simples e a violência que destruiu uma família, fica uma lição urgente: dor não pode virar desculpa, amor não pode virar posse

Ainda estamos tentando compreender a morte repentina do amigo vereador de Anápolis, Carlim da Feira. Um homem simples que nos ensinou que grandeza não precisa de palco, nem falar na tribuna.
Três dias depois, outra tragédia. Dessa vez em Itumbiara (GO) e a perplexidade rapidamente dá lugar à busca por explicações simplistas.
Investigações apontam que o pai teria atirado contra os próprios filhos e, em seguida, tirado a própria vida.
Antes mesmo do luto se assentar, procura-se na mulher uma parcela de culpa que alivie a responsabilidade de quem disparou a arma. Mas nenhuma crise conjugal, nenhuma decepção ou ruptura autoriza a violência.
Transferir essa culpa é preservar uma narrativa antiga em que homens reagem e mulheres provocam.
Entre a perda serena de um homem simples e a violência que destruiu uma família, fica uma lição urgente: dor não pode virar desculpa, amor não pode virar posse e responsabilidade não pode ser terceirizada.
A vida é frágil demais para o ódio, e madura demais para continuar culpando a vítima. Com muita tristeza, termino esse texto com lágrimas nos olhos ao lembrar do meu amigo vereador e pensando nas crianças que, sem culpa de nada, levaram um tiro na cabeça.
Que Deus acolha o meu amigo Carlim e receba essas crianças em Sua infinita misericórdia. E que nós, tenhamos coragem de transformar luto em consciência, indignação em mudança e dor em responsabilidade.
O verdadeiro tributo aos que partiram não está apenas nas lágrimas. Está na decisão firme de não aceitar mais a cultura que justifica o injustificável e culpa quem nunca apertou o gatilho.
Tempos difíceis. Tempos tristes.
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