Cruzamento de dados da Receita Federal: entenda como é feito e evite ser multado

Sistema monitora movimentações financeiras de bancos, cartões, fintechs e declarações fiscais para identificar divergências

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Cruzamento de dados da Receita Federal: entenda como funciona a fiscalização financeira, o monitoramento de Pix, cartões e contas e como evitar multas e autuações fiscais.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O cruzamento de dados da Receita Federal se tornou mais rigoroso nos últimos anos e, por isso, entender como funciona é essencial para evitar multas e problemas fiscais.

Apesar de rumores frequentes, a Receita não taxa o Pix nem bloqueia contas automaticamente por causa do volume de movimentações, mas realiza monitoramento eletrônico das informações financeiras.

Na prática, a Receita Federal coleta dados enviados por bancos, operadoras de cartão, fintechs e plataformas digitais.

Em seguida, o órgão compara a movimentação financeira com o faturamento declarado por empresas e contribuintes para identificar possíveis inconsistências.

Como funciona o cruzamento de dados da Receita Federal

Com a expansão dos meios digitais de pagamento, como cartões, plataformas online e Pix, o controle fiscal passou a ocorrer de forma mais automatizada.

Dessa maneira, pequenos negócios precisam redobrar a atenção, principalmente quando misturam contas pessoais e empresariais ou mantêm registros contábeis incompletos.

A Receita Federal utiliza a e-Financeira para reunir informações prestadas pelas instituições financeiras.

O sistema cruza os dados e verifica se os valores declarados são compatíveis com a movimentação registrada ao longo do período.

Entre os principais dados analisados estão:

  • Faturamento declarado mensalmente;
  • Valores recebidos via cartão de crédito e débito;
  • Movimentações informadas por bancos e fintechs;
  • Informações declaradas no Simples Nacional.

Quando o sistema identifica divergências relevantes, ele gera alertas automáticos para análise.

Ainda assim, antes de aplicar penalidades, a Receita costuma conceder prazo de 60 a 90 dias para que o contribuinte corrija a declaração e regularize eventuais diferenças de imposto.

Caso a inconsistência continue, a Receita pode excluir a empresa do Simples Nacional por omissão de receita. Além disso, o Fisco pode cobrar tributos retroativos com acréscimo de multa e juros.

Cartões de crédito e envio de informações ao Fisco

As operadoras de cartão enviam dados das transações ao Fisco há anos, o que fortalece o cruzamento de dados da Receita Federal.

Desde 2003, essas empresas precisam apresentar a Decred quando os valores mensais ultrapassam R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 10 mil para pessoas jurídicas.

Essas informações incluem receitas e despesas. Assim, no caso de pessoas físicas, a Receita cruza os dados com a declaração do Imposto de Renda, o que amplia a capacidade de fiscalização.

Pix, débito e fintechs também entram no monitoramento

As movimentações por Pix, cartão de débito e contas digitais também entram no cruzamento de dados da Receita Federal por meio da e-Financeira, criada em 2015. Inicialmente, a obrigação alcançava apenas bancos tradicionais.

Depois, a Receita ampliou a exigência para fintechs e plataformas de pagamento.

Atualmente, as instituições informam movimentações mensais superiores a R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 6 mil para pessoas jurídicas.

No entanto, esses valores consideram toda a movimentação da conta, e não somente transferências via Pix.

Em 2024, uma instrução normativa chegou a ampliar limites de reporte, mas o governo revogou a medida após a circulação de desinformação sobre suposta taxação das transferências.

Dimp amplia fiscalização dos meios de pagamento

Os órgãos fiscais também utilizam a Dimp (Declaração de Informações de Meios de Pagamentos), criada em 2020 e administrada pelos Estados.

Bancos, operadoras de cartão e marketplaces enviam a declaração mensalmente, independentemente do valor transacionado.

Além disso, as Secretarias da Fazenda usam essas informações para fiscalizar tributos como ICMS e, em alguns municípios, o ISS, o que amplia o alcance do controle fiscal eletrônico.

Como evitar multas e problemas com a Receita

Diante do avanço do cruzamento de dados da Receita Federal, especialistas recomendam manter a escrituração alinhada à movimentação financeira real. Dessa forma, o contribuinte reduz significativamente o risco de autuações.

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • Emitir nota fiscal em todas as operações;
  • Não misturar contas pessoais e empresariais;
  • Conferir se o valor declarado corresponde ao total recebido;
  • Manter acompanhamento contábil regular.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.