Aos 14 anos, adolescente transforma sucata em gerador e produz energia em casa durante crise

Hoje, William Kamkwamba roda o mundo contando sobre sua invenção quando mais novo; sua história foi contada na literatura e no cinema

Gustavo de Souza -
Aos 14 anos, adolescente transforma sucata em gerador e produz energia em casa durante crise
(Imagem: Captura de Tela/YouTube)

Aos 14 anos, em uma zona rural do Malawi marcada por apagões e insegurança alimentar, um adolescente decidiu que a escuridão não seria inevitável. Com peças de bicicleta, madeira e materiais de ferro-velho, William Kamkwamba montou um moinho de vento capaz de gerar eletricidade e carregar uma bateria de 12 volts, acendendo luzes e alimentando pequenos aparelhos em casa.

A invenção do garoto funcionava e todos eram testemunhas. O rotor girava, a energia era armazenada e, onde antes não havia iluminação, passaram a existir lâmpadas e rádio ligados à noite. O caso, que ganhou o mundo inteiro, foi tema de palestra e rendeu uma conhecida adaptação cinematográfica.

Crise no país e a ausência de infraestrutura básica

No início dos anos 2000, o Malawi enfrentou uma crise severa de alimentos. Relatórios internacionais apontaram uma combinação de baixa produção agrícola, estoques reduzidos e condições climáticas adversas, levando o governo a declarar desastre nacional e a mobilizar avaliações conjuntas sobre a situação.

Ao mesmo tempo, o acesso à eletricidade no país era extremamente limitado e, por isso, soluções locais, ainda que pequenas, têm impacto imediato no cotidiano.

Biblioteca, ciência e tentativa e erro

Sem condições de seguir na escola durante a crise, William buscou conhecimento onde podia: livros de ciência disponíveis em uma biblioteca local. A partir de um manual sobre energia, passou a testar, adaptar e corrigir o projeto até que a geração elétrica se tornasse estável.

Não havia laboratório nem peças novas. O aprendizado aconteceu na prática — com o tipo de repetição que a engenharia exige: medir, ajustar, falhar e tentar de novo.

Como a sucata virou eletricidade

O princípio era o mesmo das turbinas eólicas maiores: vento transforma rotação em energia. O moinho captava o movimento do ar, transmitia a força ao gerador e carregava uma bateria, criando um sistema básico de armazenamento e uso doméstico.

Segundo a biografia publicada pelo TED, a estrutura chegou a alimentar luzes e rádios na casa da família — uma mudança concreta em um local onde a noite costumava significar interrupção total das atividades.

O alcance dessa história inspiradora

A trajetória de William teve potencial de inspirar o mundo todo — e assim foi feito. Foi palestrante convidado pela TED (uma série de conferências sem fins lucrativos que abordam, segundo suas próprias palavras, “ideias que merecem ser disseminadas”), escreveu um livro sobre essa história e viu sua vida ser adaptada ao cinema.

“O Menino que Descobriu o Vento” (que também é o nome de seu livro), foi lançado em 2019 pela Netflix e já se tornou um “clássico” da plataforma de streaming. Dirigido pelo já indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor, o longa-metragem, assim como todos os outros meios em que Kamkwamba contou seu feito, consolidou-se como um sucesso e, primordialmente, uma mensagem de denúncia e superação.

Confira abaixo o trailer de O Menino que Descobriu o Vento:

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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