Após pior lucro em quase 10 anos, gigante do setor automotivo anunciou 50 mil demissões
Montadora alemã acelera plano de cortes até 2030 após tombo no lucro e pressão de rivais e da transição para veículos elétricos

A Volkswagen anunciou um amplo plano de reestruturação após registrar, em 2025, o pior lucro em quase uma década. A montadora alemã confirmou que pretende eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, medida que faz parte de uma estratégia para reduzir custos e recuperar competitividade no setor automotivo.
A decisão ocorre em meio a um cenário cada vez mais desafiador para a indústria. Fabricantes chinesas avançam rapidamente no mercado de veículos elétricos, enquanto tarifas comerciais e oscilações na demanda europeia ampliam a pressão sobre as montadoras tradicionais.
Lucro despenca e acende alerta no grupo
O balanço anual da Volkswagen aponta que o lucro líquido caiu para 6,9 bilhões de euros em 2025, uma queda significativa em relação aos 12,4 bilhões de euros registrados no ano anterior.
A receita do grupo também recuou levemente, passando de 324,7 bilhões para 321,9 bilhões de euros. O desempenho representa o resultado mais fraco desde 2016, período marcado pelos impactos do escândalo Dieselgate.
Segundo o diretor financeiro da companhia, Arno Antlitz, o controle rigoroso de despesas será essencial para manter os investimentos necessários na transformação da empresa.
Plano prevê cortes graduais até 2030
A meta de redução foi confirmada pelo CEO da Volkswagen, Oliver Blume, em carta aos acionistas. De acordo com o executivo, o grupo prevê eliminar cerca de 50 mil empregos nas operações alemãs até o fim da década.
Parte das reduções já está prevista em acordos firmados com sindicatos. O plano prioriza medidas como aposentadoria antecipada, programas de desligamento voluntário e redução natural do quadro, evitando demissões obrigatórias.
Dentro desse processo, a Volkswagen AG já anunciou um programa que prevê mais de 35 mil cortes nas unidades alemãs até 2030. Outras marcas do grupo também seguem planos semelhantes. A Audi, por exemplo, planeja reduzir até 7.500 empregos em áreas indiretas até 2029.
Transição elétrica pressiona montadoras
Além da concorrência internacional, a Volkswagen enfrenta o alto custo da transformação tecnológica da indústria automotiva. A empresa precisa investir bilhões de euros no desenvolvimento de baterias, plataformas elétricas, software e modernização de fábricas.
Esse processo tem pressionado as margens de lucro, ao mesmo tempo em que se tornou essencial para manter a competitividade global.
Com a reestruturação, a Volkswagen busca equilibrar a redução de despesas com a necessidade de financiar a transição para uma nova geração de veículos, em um momento de profundas mudanças no setor automotivo mundial.
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