Scanner cerebral revela como a cetamina age no cérebro de pacientes com depressão
Cientistas finalmente conseguiram observar processos internos ligados à melhora clínica em pacientes

Pesquisadores japoneses conseguiram observar pela primeira vez, em pacientes humanos, como a cetamina altera circuitos específicos do cérebro associados à depressão resistente ao tratamento.
Utilizando técnicas avançadas de neuroimagem, a equipe identificou mudanças mensuráveis em receptores neurais ligados à transmissão de sinais entre neurônios.
A descoberta ajuda a explicar por que a substância, utilizada em ambientes médicos controlados, tem mostrado resultados rápidos em pacientes que não respondem aos antidepressivos tradicionais.
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Figura 1: Caracterização da distribuição de AMPAR em pacientes com DRT. (Foto: Reprodução: Nature)
O estudo analisou 34 pessoas diagnosticadas com depressão resistente ao tratamento e comparou os resultados com um grupo de 49 voluntários saudáveis.
Os pacientes já haviam tentado, em média, quase quatro medicamentos diferentes sem sucesso.
Em um experimento randomizado e duplo-cego, parte do grupo recebeu infusões de cetamina enquanto os demais receberam placebo.
Para monitorar o que ocorria no cérebro durante o tratamento, os cientistas utilizaram exames de tomografia por emissão de pósitrons, capazes de revelar mudanças químicas em nível molecular.

Figura2: Alterações nos receptores AMPA da superfície celular associadas à melhora dos sintomas induzida pela administração de cetamina. (Foto: Reprodução: Nature)
As imagens mostraram alterações na densidade do receptor AMPA, uma proteína fundamental para a comunicação entre neurônios e para processos ligados ao humor, motivação e plasticidade cerebral.
Pacientes que apresentaram melhor resposta clínica mostraram aumento desses receptores em áreas como os lobos parietal e occipital e no córtex frontal.

Figura 3: Regiões sobrepostas onde as alterações na densidade de AMPAR se correlacionam com a resposta clínica à cetamina e regiões onde a densidade de AMPAR é alterada em associação com os sintomas. (Foto: Reprodução: Nature)Já em uma região profunda do cérebro chamada habenula, relacionada à percepção de frustração e regulação emocional, a redução da densidade do receptor foi associada a melhora significativa dos sintomas.
Os resultados representam um avanço importante para a compreensão dos mecanismos biológicos por trás da ação antidepressiva da cetamina. Até então, evidências semelhantes haviam sido observadas apenas em estudos com animais.

Figura 4: Regiões sobrepostas onde as alterações na densidade de AMPAR se correlacionam com a resposta clínica à cetamina e regiões onde a densidade de AMPAR é diferente em comparação com participantes saudáveis. (Foto: Reprodução: Nature)
Agora, os cientistas acreditam que a medição da densidade desses receptores poderá futuramente ajudar a identificar quais pacientes têm maior probabilidade de responder ao tratamento.
Apesar da descoberta promissora, os pesquisadores ressaltam que o estudo envolveu um número limitado de participantes e que o uso da substância deve permanecer restrito a ambientes médicos especializados devido a possíveis efeitos adversos e risco de dependência.

Figura 5: Regiões cerebrais onde a distribuição de AMPAR prevê a resposta à cetamina em pacientes com depressão resistente ao tratamento. (Foto: Reprodução: Nature)
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