Prédios tortos e mar avançando: cidade brasileira corre contra o tempo para não sumir
Município enfrenta avanço do mar, alagamentos e prédios inclinados enquanto busca soluções que podem levar anos para sair do papel

Uma das cidades mais conhecidas do litoral brasileiro vive um cenário que preocupa moradores e autoridades. Em Santos, no litoral de São Paulo, o avanço do mar, os alagamentos frequentes e os chamados “prédios tortos” colocam o município diante de um desafio urgente: adaptar a infraestrutura antes que os impactos se tornem ainda mais graves.
Diante desse cenário, a Prefeitura iniciou um plano para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
O projeto conta com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aprovou cerca de R$ 200 milhões para estruturar soluções voltadas à drenagem urbana e à proteção da orla.
Avanço do mar e alagamentos pressionam a cidade
Nos últimos anos, Santos passou a lidar com um aumento na pressão das marés e com eventos climáticos mais intensos.
Como resultado, áreas urbanas enfrentam alagamentos frequentes, principalmente em regiões mais antigas e próximas ao mar.
Por isso, o município pretende revisar o sistema de drenagem, inspirado nos antigos canais da cidade, e adaptar a estrutura à nova realidade.
Além disso, o plano inclui medidas como ampliação de áreas permeáveis e melhorias na circulação da água para reduzir riscos.
No entanto, essas mudanças não devem acontecer de forma imediata. A administração municipal trabalha com um cronograma de médio prazo, que pode levar até cinco anos para sair do papel, já que ainda depende de estudos técnicos, licenciamento e aprovação política.
Prédios inclinados preocupam moradores
Outro ponto que chama atenção na cidade envolve os chamados prédios tortos da orla. Atualmente, Santos monitora cerca de 65 edifícios com algum nível de inclinação, especialmente em bairros como Gonzaga, Boqueirão e Embaré.
Segundo a Prefeitura, o problema está ligado ao tipo de fundação utilizado décadas atrás e às características do solo da região.
Agora, moradores e entidades buscam alternativas técnicas e financeiras para corrigir ou amenizar a inclinação dessas estruturas.
Além disso, a discussão sobre financiamento já chegou ao BNDES. A proposta em análise tenta viabilizar recursos para que condomínios possam investir em obras de engenharia capazes de corrigir o problema.
Plano busca proteger moradores e economia
O pacote de ações não envolve apenas drenagem e prédios. O projeto também prevê modernização do Centro de Controle Operacional (CCO), com investimento estimado em R$ 80 milhões para ampliar o monitoramento e a resposta a eventos extremos.
De acordo com o BNDES, a ideia é reduzir alagamentos, proteger a orla e melhorar a qualidade de vida de mais de 200 mil pessoas. Além disso, a iniciativa busca preservar a atividade econômica da cidade, que depende diretamente do turismo e da infraestrutura urbana.
Mesmo assim, especialistas destacam que o desafio é complexo. O avanço do mar, a pressão sobre o solo e a necessidade de modernização exigem soluções integradas e planejamento de longo prazo.
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