Falcões voltam às cidades e viram peça-chave contra invasão de periquitos fora de controle
Falcões-peregrinos voltam a dominar os céus urbanos e expõem o avanço de aves invasoras no Reino Unido

O retorno dos falcões-peregrinos aos centros urbanos do Reino Unido ganhou um novo significado nos últimos anos.
Mais do que um símbolo de recuperação ambiental, essas aves de rapina passaram a desempenhar um papel inesperado: ajudar cientistas a entender o impacto de espécies invasoras nas cidades.
Adaptados a prédios altos, pontes e até catedrais, os falcões encontraram nos ambientes urbanos condições ideais para sobreviver.
E, nesse cenário, uma nova presa entrou no cardápio: o periquito-de-colar, ave exótica que se espalhou rapidamente por parques e bairros residenciais — sobretudo no sudeste da Inglaterra.
Predador recuperado revela mudanças na fauna urbana
A presença constante dos falcões nas cidades permite um monitoramento detalhado de seus hábitos. Por meio de câmeras instaladas em ninhos e transmissões ao vivo, pesquisadores conseguem analisar o que essas aves capturam e levam para seus filhotes.
Esses registros funcionam como um verdadeiro “termômetro ecológico”. Ao observar a dieta dos falcões ao longo do tempo, cientistas conseguem identificar mudanças na abundância de espécies urbanas.
Em cidades como Londres, por exemplo, pesquisadores já registraram periquitos invasores entre as presas dos falcões — uma mudança notável para uma espécie que, até recentemente, não integrava a cadeia alimentar local.
Periquitos invasores entram na cadeia alimentar urbana
Originário da África e do subcontinente indiano, o periquito-de-colar encontrou no clima temperado do sudeste britânico condições suficientes para se estabelecer e passou a formar grandes populações em áreas urbanas do Reino Unido.
Com coloração vibrante e vocalização intensa, a espécie se tornou comum em parques e jardins.
No entanto, sua presença levanta preocupações. Além de competir por alimento e espaço com aves nativas, os periquitos utilizam cavidades em árvores para nidificação, disputando locais essenciais para outras espécies.
Com o retorno dos falcões, esse cenário ganhou uma nova dinâmica. A ave passou a fazer parte da cadeia alimentar urbana, sendo predada em regiões onde os falcões já estabeleceram território.
Ainda assim, especialistas alertam que os predadores não atuam como controle direto da população do periquito. O comportamento segue a lógica natural da sobrevivência, e não uma função de equilíbrio ecológico planejado.
O que chama atenção é como a cidade se tornou um laboratório a céu aberto. Entre prédios, parques e áreas verdes, o encontro entre espécies nativas, invasoras e predadores revela como a ecologia urbana está em constante transformação — muitas vezes impulsionada pela própria ação humana.
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